sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Contínuando



Um amigo me disse certa vez que que não pertencemos a ninguém, e por isso somos felizes, somos livres e somos  amados. A o ler essas palavras elas não tinham o menor sentido, soavam como parte de um roteiro de romance americano, totalmente idiota. Mas os dias me fizeram compreende-la da maneira correta, não pertencemos a ninguém, nem mesmo a nós.
Ao comerçarmos qualquer coisa nessa vida não nos damos conta, mas aquilo que fazemos ou vamos fazer é nosso somente pelo tempo que permanecemos naquilo, mas antes de começar, ou depois que acabar, pronto, já não será mais nosso. Simples assim, sem garantia alguma.
Existem várias formas de medo. Há o medo de dar o primeiro passo ou de arriscar tudo que se tem, mesmo quando não se tem nada.
As palavras de hoje são tudo e nada ao mesmo tempo, elas só terão sentido agora e nunca mais. A ligação existem entre elas durará somente até a ultima letra do ultimo paragrafo da ultima linha.
Estás palavras não são um punhado daquilo que fiz ou daquilo que estou sentido, não, estás palavras são recortes, lapsos de tantas coisas.
Confesso que não gosto mais dessa forma humana de dividir o tempo, a forma com a qual fatiamos o tempo e espaço, muitas vezes nos submetendo a sentir e dizer coisas que não queremos, nos tornando escravos daquilo que criamos. Irónico, não?
Mas o homem tende a isso, cria, modifica e depois venera.
É incrível como quando criança temos a força dos deuses, tudo podemos, basta sonhar e esperar crescer para realizar. Engano seu tolo menino. Bobinho, a vida não é assim, ninguém cresce e simplesmente vira doutor e se muda pra uma casa com jardim e piscina. As coisas não caem do céu e nem brotam do solo.
Depois dos dezoito as batalhas saem do quintal de casa criam vida além da TV e tornam-se reais.
Deixe esta que as coisas vão mudar, por iniciativa e não por consequência.
Eu não tenho promessas, - desculpa se você esperava por alguma. Também não tenho lista de sonhos, não que eu não tenha sonhos, mas é que desta vez vou continuar sem pausa, porquê ainda não realizei os antigos sonhos e sonhos minha bela criança, sonhos são permanentes, são duradouros e não acabam. Tenho muitos, mas com um pouco de sabedoria adquirida organizei-os de forma que um de cada vez.
Para mim a vida segue em linha reta e eu não tenho vontade alguma de parar só para tomar champagne. Agora não é hora de soltar fogos, pois devíamos fazê-lo a todo instante.
Feliz viver. Ou ou como costumamos dizer, feliz ano novo

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

AQUI.


o importante é consumir, vivemos para comprar, nós trabalhamos para comprar!
 Acredite, não há nenhuma outra justificativa, nossa importância se resume ao nosso grau de consumo, ao nosso poder de compra. Essa é a lei. Você, seu bosta, você e todo mundo não passa de um número de cartão de crédito, de um cpfzinho nojento e mal acostumado. Acostumado a ter o que não precisa, forçado sem nem ao menos perceber a querer sempre mais, só que não melhor. Querer sem nem saber por que.
Somos tão tão previsíveis, tão metódicos. Eles podem sem esforço algum prever nosso próximo passo.
Já parou pra pensar, ops, perdão. Não sabemos mais fazer isso, as "the machine" o fazem  por nós. Mas, permita-me supor que caso  pudesse-mos fazê-lo, pare e pense, por que?
Porque é somente isso que nos resta, comprar. Eles conseguiram  eles converteram a todos. Mas sei que não somente eu, como algumas centenas ou até milhares de pessoas muitas vezes se pegam pensando... porque, pra que?
Justifica, me responde porra. Qual o sentido desse consumo todo?
 Somos iguais a crianças  choronas que enquanto o biscoito não acaba ela não para de comer, mesmo sem fome, mesmo sem vontade.
Isso vicia, olhemos uns para os outros, somos fantoches, bonequinhos de pano, e tão bem manipulados tão acostumados  a sermos dominados.
Mas o sistema vai cair, há vai, espera pra ver. E como um otário, tal qual um débil eu vou sair em praça publica, vou pular e me contorcer de rir. Rir dessa desgraça que não é só nossa, nem só minha. É da nossa gente, do nosso pais. É  da nossa mãe também, essa mãe que não tem mais condições de aguentar o que esses filhos desajuizados estão fazendo com ela e principalmente com eles mesmo.
A mamãe vai embora, porem pode voltar. Quero ver neném sobreviver sem mamar, sem mamãe, sem lar.

sábado, 11 de dezembro de 2010

1.9

Ei, guri. Você tem um minuto?

Podemos sair pra dar uma volta, tomar alguma coisa?
Que bom!

Fico feliz que em meio aos seus afazeres tão urgentes e importante você tenha me dado tamanha gratificação, prometo não demorar. Onde? Praia, campo, ou na cidade mesmo? Ah, já sei. Um descampado coberto de relva, certo? Vamos. Ah, antes que eu me esqueça, vamos levar laranjas para fazer um suco.

Que tarde heim.
Olha isso aqui. Fecha os olhos guri, agora respire bem devagar... isso, mais lento, sem preça guri, desliza teu pulso sob a grama, relaxa teus ombros...agora sorria.
Guri, eu ti trouxe aqui para conversarmos, preciso lhe dizer algumas coisas.
Ah guri foram doze meses que si passaram, mas parece que foram doze anos, você mudou, na verdade você se mudou. Mudou-se de princípios, de formas e de perspectivas, ou talvez não, sei lá. Talvez você apenas tenha dado férias para os antigos ângulos, ou quem sabe trocou as lentes do seu binóculo. Enfim, eu não sei ao certo o que aconteceu, mas guri, você mudou. Isso é um fato.
Antes eu podia sentir sua presença, porque você tinha uma espécie de mantra, de energia positiva que ti fazia acreditar, seguir, lutar, chorar e até sorrir, hoje parece que você simplesmente não si importa mais.
Ei, guri, olha nos meus olhos, quero ter a certeza que você está ouvindo cada palavra que estou lhe dizendo.
Para com isso cara, liga outra vez essa máquina de carne, ossos e consistências. Puxa vida, volta, esquece um pouco a razão. Cadê aquele guri de corpo e alma, cadê aquele cara que colocava o amor como principio meio e fim?
Cadê você guri, eu preciso que você continue, desculpa o egoísmo, mas não é só por você, é por mim também. Eu sou um pequeno fleche do que você vai si tornar, mas, percebe, estou inacabado, inconcluido. Por enquanto sou apenas uma tentativa, e por favor, preciso de você para me tornar uma realização.
Para de comprar livros guri, você não está lendo mais nenhum deles. Pare por favor de comer manteiga, eu não quero ser diabético aos trinta e cinco. Ah, e, por favor, estabeleça, ou melhor, conclua de uma vez por todas alguns pontos de vista. Tudo bem se for mudá-los depois, mas os tenha, e na ponta da língua.
Permita-se mais muitas coisas permita aos outros ao menos de vez em quando errar, pense menos na vida alheia, ocupe-se de mais, mais e melhores coisas. Por favor.
Respire mais fundo, e olha aqui, ei olha no meu olho, você vai viajar ta me ouvindo? Vai sim.
Lembra do Protigius? E da Ana? Então, eles estão esperando por você, estão morrendo de vontade de caminhar, falar e existir.
Aqueles três lá em casa, guri, são tua família, considere isso algumas vezes mais, e trate-os como tais.
E aquele protetor solar, e o shampoo pra caspa quando que você vai comprá-los? E não esqueça do aparelho dentário heim, esse ano sai, veja lá menino.
Pra finalizar peço que quando sobrar um tempinho tente novamente aquela conexão.
E por ultimo, vá com um pouco mais de calma, sinta o cheiro de vez em quando, ou sempre.
Bom, é isso guri, e o suco, sai ou não sai?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Rio.


Eu me pergunto por que não antes, por que não quando era importante para nós e não para mundo?
Por que só arrumamos a casa quando vamos receber visita?

Não é que eu esteja reclamando, estou apenas questionando.

Será que é por que antes estava tudo entre "família" ?

Será mesmo que tudo aquilo foi realmente feito por quem dizem que foi? Ou quem sabe
os manda chuva precisavam de uma boa justificativa para fazer uma faxina tão completa e bem feita?
Pode ser uma visão ampla da situação, ou a mais fechada e inculta de todas elas.


"Rio, nosso Iraque particular! Estão limpando a casa pra 2016. Ônibus queimado e o caus urbano justificam tanques de guerra. BRASIL"

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

inconsistências...


Em um sobre voo tudo não passa de erros e acertos. Pois bem, eis que aqui estamos diante de uma longa estrada, ponte ou coisa assim.
Antes do play um caminho em linha reta, uma perfeição. Após então, tortuoso, cheio de curvas, ladeiras, morros, mas também planícies, planaltos. É escuro e claro, cansativo também. Compensativo ás vezes.



Ponha-se a meditar. Questionar-se, olhar para dentro de se mesmo. Olhemos ao redor, onde feito é desfeito e o dito já não vale mais nada.
Go, corra, ande, pule. Sei que vou custar a estabelecer uma ordem cronológica e até satisfatória, são tantas coisas, há tanta para acreditar, ler, descartar, ver, esmurrar, ouvir, vaiar e aplaudir. Sincronizar é entender. Entender-se para ser mais exato.
Não quero concordância ou padrão nem vou partir daquela velha história de inovação. O caralho com a novidade. Apenas outra parte, ou talvez outro lado. Não, não, apenas uma fatia do bolo do mundo, uma peça de roupa desse armário tão surrado.
Eis que vejo linhas tênues, fios d'água tão indefesos, porém majestosos. Aqui se costuram dúvidas, perguntas e respostas. Hora tudo se define, hora tudo se enrola.




É fácil perceber o processo evolutivo porque até mesmo uma pedra evolui. Pois bem, eu também o fiz, o faço e o farei até o fim. São questões mal resolvidas, deixadas pele metade. Fui fazer a redação volto pra matemática depois. Fugir do clichê é ser o mais clichê possível.
É preguiça, presunção, achismo, e pés no chão. É cabeça no ar.
É dor de cabeça, tendinite, bursite, rinite.
Amídalas cortadas, alfabetização aos dez, primeiro amor aos onze e quatro anos de decepção.

Um punhado de planos bem sucedidos, frases que fazem a tradução. Sorte aqui, azar ali. Mas pra mim tudo é questão de fazer acontecer.
Porra, levanta!
Mas aquela bola pintada de amarelovermelhoquente nasce sempre outra vez, e eis que os pés ainda andam, a cabeça, mesmo que a base de carvão funciona. Doe, grita, ferver, elabora e "pede pros ossos executar"
Não acabou ainda não, essas inconsistências sem sentido, esses fleches vão continuar. Vão evoluir e talvez se organizar.

Sejamos iguais a grãos de areia jogados ao mar, descem devagar vão rodopiando, flutuando até no fundo chegar. Se achegue e aconchegue. Calma, tudo vai melhorar.

(fotos: Arlan Souza)



sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Perfeito.


Alem do limo, após o vácuo, depois de muitos anos, alem das décadas, a frente do pensamento e muito acima de tudo que há de concreto.
Aqui estou, aqui permaneço. Em uma terra onde sempre é dia, nesta terra o sol vai da aurora até o crepúsculo, mais nunca alem disso, nunca nas trevas. Não há noite, não há sono.
Aqui encontra-se muito para fazer, ou como costumamos dizer, há muito para ser vivido.
Viver, aqui sentimos, ouvimos, contemplamos, amamos.
Poderia dizer que excede as capacidades humanas. Somos talvez um tipo de verdade concreta, perfeitos.
Paraíso? não. Fazemos parte de um plano bem sucedido, uma ideia em plena ascensão.
Somos todos partes de um conjunto, somos heterogeneamente homogéneos. Irmãos.
Somos notas de um piano, melodia uniforme, constante....perfeita.
Somos uma sinfonia divinal, somos um corpo esculpido em detalhes minunsiosos na mais resistente e inquebrável das rochas. Um beijo, uma criação.
Aqui, ainda que estejamos acima das faculdades humanas praticamos lealdade, amizade,cumplicidade. Aqui somos todos ouvidos.
Você quer falar? Fale, somos bilhões de olhos, mentes atentas e totalmente interresadas no que você tem a dizer. Não costumamos cair, mas se por ventura o fizermos, irmãos nos levantarão. Mãos totalmente interessadas serão estendidas na mais humilde forma a qual chamamos de ajuda.

Eis que somos também um abraço, daqueles de urso, somos dedos que percorrem levemente uma face divinal e a contemplam extasiados. Somos apaixonados uns pelos outros e todos por tudo, tudo que nos cerca.
Somos a manifestação mas sutíl, mas completa, refinada e bela daquilo que está alem da vida, que poderia ser um sonho, mas é belo e perfeito, porque não é real.
(desenho: Arlan Souza)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

eu vejo assim...






P.S click no desenho para ver em tamanho maior.

sábado, 2 de outubro de 2010

Nunca Antes...


... eu fui um eleitor, e confesso que estou um tanto inseguro, isso porque as opções são tantas mas nem por isso é fácil encontrar uma que seja coerente, que apresente não só melhorias, mas que mostre como fazê-las e se de fato são possíveis, ou se não passam de mera utopia.
O promesômetro foi ligado e nunca antes na história deste pais usou-se tanto as frases “eu prometo”; “eu vou fazer”; “se você votar em mim...”. Tem aqueles que dizem - Você me conhece, sabe da minha história. Mas se pararmos um instante percebemos que nunca vimos o fulano, ou sequer ouvimos falar em seu nome.
Há também quem peça que votemos com prazer, outros dizem que pior do que esta não fica. Mas convenhamos, fica sim!
De tudo que tenho visto o que mais me irrita é ver D. Dilma dizendo que no governo do presidente Lula fizemos isso e aquilo. Sim, foi feito, mas como ela mesma disse, no governo do presidente Lula. Não no governo dela, até mesmo porque esse governo não existe, e se depender de mim nunca existirá.
Lula conduziu de forma aceitável nosso pais, fez os devidos remendos. Mas queremos mais, queremos a solução, e não a melhoria. Como diz o Plínio de Arruda " boas propostas todos os candidatos tem, mas nenhuma delas resolve nossos problemas", isso porque solucionar mexe com os poderosos e com eles não se pode mexer.
O governo da Dilma será voltado a estabilização da economia, ao consumo e ao assistencialismo, assim como tem sido o atual governo.
Desse modo a educação a saúde e o meio ambiente, acreditem, será deixado a parte. A Dilma deveria rever seus conceitos, principalmente ao dizer que nós brasileiros estamos no auge da democracia.
Não devemos alicerçar nosso país no consumo, na industria e no poder de compra. Como brasileiro quero muito mais que facilidade para obter um crédito. Quero discutir ideias e não um salário mínimo de seiscentos reais, o que diga-se de passagem é totalmente desumano.
Quero um pais onde seja possível criar diferentes ângulos para uma mesma paisagem, onde hajam ideias, pontos de vista, tudo isso no plural. Quero desprender-me dessa política velha que insiste em manter nosso país subdesenvolvido. Subdesenvolvido não apenas economicamente falando, mas socialmente, intelectualmente e culturalmente também.
Quero eleger senadores, deputados e presidentes que discutam o nosso pais e não os roubos internos que eles mesmo fizeram.
Os senhores de Brasília passam a maior parte do tempo resolvendo problemas internos, problemas deles e não da nação.
Um bom exemplo disso, é a recente votação para decidir qual documento o povo deverá apresentar no dia das eleições, algo tão simples, e óbvio, levou dias para ser decidido, agora parem e pensem, qual a utilidade do título eleitoral se não o de usa-lo como instrumento de votação? por fim o STF decicidiu na ultima quinta-feira (a menos de três dias das eleições) que será necessário apenas um único documento oficial com foto para que o eleitor possa votar, isso depois de muitos brasileiros Brasil á fora terem passado horas em filas gigantesca para tirar ou renovar o título eleitoral.

Somos a plateia desse circo e está mais do que na hora de começarmos a atirar tomates nesses palhaços sem graça, tragamos o circo abaixo e construamos sobre os seus destroços uma verdadeira nação, na qual possamos bater no peito e dizer....

SOU BRASILEIRO.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010


"Essas coisas vão se costurando em nossas almas e só percebemos
quando os outros nos falam"


Eles dizem que estou cansado, que estou caído, com cara de perdedor.
Dizem assim, como quem diz bom dia.
Eu agradeço viu, ao menos isso eles sabem fazer, falar a verdade. Claro, aqui a verdade também é alimento, alimento para quem da miséria alheia se alimenta.Dentre as coisas que tenho repulsa uma delas é a de me tornar repetitivo, mas sei bem, tal como sei que em minha mão direita tem cinco dedos que é exatamente isso que me tornei.
Repetitivo em dores, em palavras, em atitudes.
Nas ultimas semanas comecei a enxergar tudo um tanto embaçado, embaçado mesmo, como se existisse uma névoa permanente em minha fronte. As vezes eu me perco e o lugar para o qual eu vou chama-se limo...vácuo, entre lá e o lugar nenhum.

Loucura? Talvez. Mas poderia o louco reconhecer a própria loucura? Acho que não, sei lá.

domingo, 5 de setembro de 2010

for me.

Não se constrói um ser humano com ossos e carne
Não se faz uma vida com pensamentos e palavras!


terça-feira, 31 de agosto de 2010

.

Hoje eu só queria tempo para ler um bom livro. Queria também um colo, um abraço.
Queria estar sobre a relva, em um dia de sol com brisa leve. Queria teus olhos, meu doce anjo. Teus lábios, teu corpo todo pra mim.
Queria também entregar o meu corpo todo a você.
O menino cresce, o tempo diminui!

Vontades minhas.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Isso é meu.

Já percebeu como está em alta hoje em dia dizer que os outros, as massas ou o fulano lá da esquina é alienado?

Me pergunto se realmente somos donos dos nossos pensamentos, das nossas ideias e das nossas vontades.
Até onde compramos um ténis ou lemos um livro por livre arbítrio e totalmente dispersos de influencias. Sejam elas de terceiros, midia ou imposição.
Nossas vontades são realmente nossas?
O ultimo filme que você viu no cinema, a pasta de dente que você usa, o seu corte de cabelo, o seu perfume, seu carro...ahhhh, o nosso mundo.
A calça jeans que você usa é preta, skyny, reta ou slim? E a sua camiseta, é aquela do I love New York ou aquela preta super básica deveras desbotada?
Você limpa seu bumbum com personal ou snob, ou quem sabe, com sabugos de milho?
Vai me diz, você escolhe ou é escolhido?
Você vai prestar federal ou estadual, USP, FATEC, HARVARD? Você viu na tv, no jornal ou simplesmente ouviu dizer que elas são as melhores, ou foi o ultimo senso do MEC que apontou elas como "as melhores"? Você acredita no MEC? Por quê?
A sua vida, o seu plano de ação, de onde vieram suas bases?
Até onde somos manipulados, e mais, até que ponto sabemos que somos? E podemos nos livrar dessa manipulação? Ela, a manipulação, realmente existe?

Há entre as opções, no momento exato em que nós, donos de nossas escolhas podemos optar por isso ou aquilo, mas estamos de fato buscando, analisando, selecionando? Ou simplesmsnete aceitando?

domingo, 15 de agosto de 2010

agora este.

Um homenzinho qualquer construiu uma muralha em torno de si e colocou-se a observar a vida alheia lá de dentro. Ele prestava atençaõ a cada passo, a cada atitude alheia, tinha sempre um ponto de vista, uma opinião formada sobre tudo e todos, mas ele, o homenzinho, não sabia quem era de fato.
Na verdade ele era os outros, após alguns anos de tanto observar a vida alheia ele acabou tornando-se a própria vida alheia.
O homenzinho sabia dar sábios conselhos, mas ele, coitado, nunca conseguia segui-los. O acontecimento mais recente da vida desse homenzinho foi um tapa na cara, isso mesmo, deram-lhe um tapa na cara.
Ó, pobre homem que ainda acreditava que o tempo tudo resolve, tudo encaixa. Mentira! O tempo destrói, apaga, maltrata, acaba, conclui. Ele, o tempo, é mau. Perverso Sr. Tempo.
Esse homenzinho além de fuxiqueiro era burro, hipócrita e feio.
Ele possuia o popular "dom" da auto-enganação... - Está tudo bem, tudo bem.
Sou forçado a dar altas gargalhadas ao lembrar-me daquele homenzinho, vejo ele todos os dias...
um pedacinho de merda, isso, ele é um pedacinho de merda.

domingo, 8 de agosto de 2010

...

engraçado, eu tinha planejado um abraço sincero talvez o meu primeiro abraço sincero em você. As coisas estavam indo tão bem entre todos nós e como sempre tudo desabou.
Podíamos ter tido um pouco mais de sorte, as coisas poderiam ter ido por água abaixo amanhã talvez.
Mas não, elas caíram hoje. Elas vêem caindo a muito tempo. Nós até tentamos conserta-las, dia após dia, semana após semana, ano a ano.
Confesso que sonhei com o dia de hoje...estávamos em nossa nova casa. Você em pé na cozinha nova toda rodeada de azulejo branco, parado ao lado da pia, então eu chegava te abraçava e pela primeira vez, que eu me recordo, eu te beijei o rosto. Foi sincero, eu juro. Acho que pela primeira vez, mesmo em um sonho, eu pude entender qual o papel de um pai perante um filho, uma mistura de proteção, lealdade, bem-estar, amor...um amor diferente dos que eu conheço, ou melhor, dos que eu julgo conhecer.
Existe muito sobre você que eu desconheço, somos sim, estranhos que moram sob o mesmo teto e vez ou outra dirigimos a palavra um ao outro por consequência ou sei lá porque.
Hoje pela segunda vez você me renegou. Mas eu confesso que em muitos dos meus lamentos também te reneguei.
E se é para confessar, permita-me expor algumas coisas...
Eu não gosto do teu modo de educar.
Eu queria sentir orgulho de você, mas minha hipocrisia ainda não é tamanha que me permita tal proeza.
Ainda que eu não demonstre não deixe que minha indiferença lhe engane...eu te amo.
Enquanto ao fato de você me renegar, não se preocupe, pois você esta ausente desde sempre.
Aos outros, se é que lhes devo explicação, coloco-me no dever de expor...

eu não sou a vítima, eu não sou o bom menino e muito menos o coitado.


hoje pode até ser o dia dos pais, mas dos pais de plástico, dos figurantes sociais.
Pais de verdade são dádivas que merecem ser comemoradas todos os dias.

domingo, 11 de julho de 2010

Aos meus olhos.


"Nunca temamos nem os ladrões nem os assassinos. Estes são perigos externos, pequenos perigos. Temamos a nós mesmos. Os preconceitos, estes são os ladrões; os vícios, estes são os assassinos. Os grandes perigos estão dentro de nós. Que importa o que ameaça nossa vida ou nossas bolsas?! Preocupemo-nos apenas com o que ameaça nossa alma"




Victor Hugo.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Melhor ouvinte.



Naquela noite em que fui na tua casa, horas antes eu presenciei um por do sol maravilhoso. Ele descia pouco a pouco e tocava o peito do mundo de uma maneira divinal.
Fui ti visitar porque como eu disse, sinto necessidade de ti, mas você parece não saber disso.
Você me disse que cresceu, e é verdade, tens crescido. Espero sinceramente que crescer seja agregar coisas novas, mas principalmente, preservar o que já tínhamos de bom.
Sou prepotente a ponto de me considerar importante para você, e por isso peço que não me esqueça.
Aquela menina um tanto indecisa e rebelde parece ter ido embora.
Vejo sonhos, vejo planos...
Cresce melhor ouvinte, cria asas e voa...mantenha-se sempre com os pés no chão, mas pule um pouco mais alto de vez em quando.
Eu tenho uma irmã e o nome dela é Ester. Irmazinha, perdoe-me se te deixei sozinha e em algum instante.
Eu moro em cada partícula de lembrança e vez ou outra costumo visitar o mundo dos mortais, vem me ver quando quiser.
Sabe maninha, as vezes me pego pensando em um certo domingo, um domingo no qual você virá acompanhada dos meus sobrinhos e do meu cunhado e todos sentaremos ao redor da minha mesa onde eu, feliz da vida, estarei completo.
Mas enquanto esse dia não chega seria bom vivermos o hoje.
Prossiga maninha, voe.
Para a Melhor Ouvinte, Ester.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Em breve.


Eu estava pensando cá com meus botões...
Pensando em uma casinha de tijolos vermelhos, telhado romano e uma horta no fundo.
Vou construi-la em uma planície com um longo gramado em volta. Vou plantar todas as flores possíveis, pés de chá e algumas árvores também.
Farei um balanço e construirei uma gangora. Pintarei a casa de branco e mandarei fazer cortinas de cetim para cada uma das janelas. Será uma casinha modesta e simples, porem muito aconchegante.
Eu tenho sonhado com ela a muito tempo.
Farei chocolate quente quando o inverno chegar, e vou me sentar no parapeito da janela para ler um bom livro.
Vou me despedir todas as tardes do sol e dar boa noite para a lua.
Em meu quarto haverá um této de vidro para que eu possa adormecer vendo as estrelas. Haverá também uma biblioteca cheia de romances e livros de aventura, nada de geopolítica ou filosofia.
Farei eu a minha própria filosofia!

Antes que eu me mude para lá comprarei um bicicleta e muitas bexigas, vou usa-las nas tardes de verão, antes do fim do dia.
Plantarei legumes e hortaliças, farei uma sopa para o jantar.
Antes que eu vá para lá quero aprender a tocar violão ou violino, para que eu possa toca-los sob os galhos de uma árvore.
Vou adotar um bicho de estimação, talvez um cão ou um coelho quem sabe.
Eu vou para lá, daqui a algum tempo, sei que vou.
...
(desenho: Arlan Souza)




domingo, 9 de maio de 2010

For D.



Você perguntou quem era, e eu bobo que sou, chego a pensar que você saiba exatamente que é você!
Mas talvez eu esteja enganado, talvez você ainda seja inocente.
Eu não deveria ficar pensando em você, porque sendo quem sou e acreditando no que acredito, o próximo passo é te esquecer. Mas eu só aprendi a esquecer com a distância, e você está ao meu lado todos os dias.
Não quero que você vá embora, não quero te perder.
Agora percebo por que você quer me ver sorrindo. Não é porque você está afim de mim, é porque você é do "bem" e quer ver eu e o mundo todo "bem".
Eu te amo por isso, e amo a mim mesmo por amar você.
As vezes eu olho o mundo e vejo pessoas pobres de espírito, pobres de pensamento e sonhos. Nesse momento me bate um medo, medo de me tornar igual a elas. Mas é nos teus olhos que eu encontro segurança e repouso. É nos teus braços, um tanto desengonçados que vejo acalanto.
Você transpira inocência e torna-se beautiful quando fala com autoridade e inteligência.


Sonho meu, caminha pra longe, pois sou precipício.
sonho meu vai embora, pois não posso te-lo.
Sonho meu, corre. Porque sou do mau.
Sonho meu, não me queira.
Ei, sonho meu. Confesso que sou pesado de mais, que sou um fardo e não quero que você me carregue.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Fodam-se os números


e vivam as letras.


"Busque o invisível e dispense o que é palpável".


Como é costumeiro nas quintas-feiras eu sempre chego um pouco atrasado no cursinho. Isso devido ao inglês que me faz entrar mais tarde no trabalho e desse modo eu tenho que trabalhar mais. Uma verdadeira bola de neve.

Enfim.

Pra completar a tal bola de neve hoje eu tive matemática, aula dupla.

Conta vai, conta vem, desce número aqui, sobe ali, soma, subtrai, troca sinal, eleva ao quadrado, a quinta, a oitava...
Não nasci para isso! Depois de alças de apoio matemática é a coisa que mais odeio no mundo.
Foi em meio a esse monte de números que eu comecei a pensar se realmente eles são necessários, se eu realmente tenho que suporta-los e o pior, encara-los de frente, de homem pra número.
Tudo leva a concluir que sim, partindo do pressuposto que a matemática equivale a mais de 40% das provas de vestibular/enem e etc.

Ai eu me pergunto, devemos focar o estudo naquilo que gostamos e que nos desperta interesse? ou trabalhar arduamente para desenvolver habilidades nas áreas onde somos um fracasso?
Gosto de li dar com números quando relacionados a dinheiro e porcentagem. Mas ter paciência para li dar com aquelas fórmulas, ai já é outra história.
Após ficar matutando quase uma aula e meia eu decidi!
Juntei meus livros e coloquei a mochila nas costas.

- Chau professor.

- Chau!


Tenho certeza que ele pesou automaticamente.

- Lá vai mais um vadio filho de papai. Um completo zé.

Mas eu bem que sei que a coisa não é nem de longe assim.
Antes que eu pudesse colocar o segundo pé na escada bateu a dúvida. O inicio do arrependimento.
Me mantive firme e continuei e desde o cursinho até agora eu ainda estou pensando...
E a matemática, é ou não necessária? Eu vou conseguir chegar do outro lado sem ela?
Depende, depende de muitas outras coisas.
Se eu pudesse faria o mesmo com muitas outras situações da minha vida, simplesmente levantaria e iria embora.
Bom, é isso, eu só queria mostrar minha falta de juízo, minha rebeldia. Ou quem sabe meu principio de senso crítico e analítico.

Afinal de contas, deixemos o que é importante e joguemos fora o que é desnecessário.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Físico ou Abstrato - Parte 5.

Escrevo então algumas palavras daquele livro. Palavras que me apunhalaram três vezes. Palavras de um destino possível, de um castigo passageiro.


Capitulo Um.

Uma Vida Sem Você.


Um quarto com paredes pintadas de branco luz florescente e um silêncio medonho. No meio do quarto uma poltrona igualmente branca e um homem caquético; magro e acabado. Sentado ele balança sua cabeça para lá e para cá, tal como um relógio cuco. Este homem já foi lúcido e carregou um sorriso na face. Seus cabelos eram bem cuidados e sua mente mais calma. Hoje sentado em sua poltrona ele interroga a se mesmo com uma quase canção.
É algo mais ou menos assim....
......por que por que, por que comigo? O que eu a fiz? O que eu deixei faltar? Por que por que, onde estás? Por que por que...POR QUEEEEEEE...
Ele interroga o vácuo em uma espécie de melodia constante. Este homem viu seu mundo cair quando sua metade foi embora. Pouco á pouco a dúvida o fez emergir para dentro de se mesmo. Até ele esquecer quem era, até ele esquecer que mais vidas despediam da sua. Vidas indefesas que perdiam ao mesmo tempo a cruz e a espada. O pai e a mãe.
Mas este homem nunca se esqueceu daquela que o abandonou, aquela que o presenteou com uma lacuna. Uma dúvida quase eterna.


Capitulo Dois.
Por que Você Não Voltou?


"Está viajando" - É o que respondiam quando a menina perguntava pela mãe. A pequena si perguntava por que a mãe foi sem se despedir, sem dizer até logo como sempre fazia. Mas acabou acreditando, afinal de contas ela só tinha dez anos e ainda acreditava em gente grande. Os anos se passaram e sua mãe não voltou. Aos treze anos ela já não acreditava mais em coelhinho da Páscoa e descobriu que tinha sido abandonada; deixada ao Deus dará.
Então começaram as crises e os pesadelos.
Um cigarro para acalmar e uma garrafa de vinho para rir ao invés de chorar. Aos quinze anos ela decide procurar a mãe e foge de casa. Aos dezesseis engravida de um marginalzinho filho da puta e nove meses depois entra em trabalho de parto na sarjeta de uma rua qualquer, morre ali mesmo com o filho a meio caminho do mundo.


Capitulo Três.
A Culpa é Sua.

A mais velha das gêmeas encontrou outra forma de amenizar a dor da perda. Tomava balinhas para dormir, lia romances baratos e si dizia melâncolica. Ouvia Avril e era revoltada.
Aos dezoito anos encontrou o príncipe de sua vida; um verdadeiro capa da capricho, mas como quase todos os príncipes contemporâneos esse só era bonito por fora. Um verdadeiro sapo por dentro.
Seu casamento foi um sonho até o sexto mês, depois começaram as cobranças. Seu maridinho queria poder e lucidez por parte da esposa que vivia a si dopar.
Logo o príncipe convenceu sua donzela indefesa a internar o pai, um lunático completo. O príncipe sábia lutar e sua mulher apanhava muito bem. Eles tiveram um filhinho que nasceu com sérios problemas cardíacos, segundo o médico o coração do bebê não se formou corretamente devido a grandes doses de medicamentos ingeridos sem o mínimo controle por sua mãe. A vida da princesinha afundou ainda mais. Ela odiava o próprio filho, o considerava um fardo a carregar.


...nada saiu como eu havia planejado! Cai, e então morri por algumas horas.

domingo, 28 de março de 2010

Cansado.


Cansado de recomeçar, cansado de cair, cansado de ser fraco.
Cansado de chorar, de reclamar. Cansado de tentar outra vez e dizer..."dessa vez é sério, dessa vez eu não vou cair, vou resistir até o fim".
Cansado da indiferença, da falta de ânimo.
Cansado de guardar projetos, de desperdiçar o tempo, com o nada.


Fecho os olhos e me vejo parado no meio de um longo caminho de terra. Está escuro e a noite não tem luar e nem estrelas.
O caminho é longo, - eu não consigo ver o seu fim.
Apenas eu estou ali, parado e com medo. Muito medo.
Não á nada e nem ninguém ali, alem de eu mesmo.
Não á sons, animais, plantas ou vento. Nada.
Nem mesmo a lua para me distrair, nem mesmo a imensidão do céu para eu contemplar.
De repente o caminho some e eu me vejo parado em meio ao nada, agora nem mesmo direção eu tenho, não existe mais um caminho, não existe mais esperança.
Sou dor e medo parado em meio ao nada, no deserto dos sonhos perdidos, das desilusões.
Acabou-me as forças, acabou-me a fé.
Eu mandei a ajuda ir dar uma volta.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Físico ou Abstrato - Parte 4.



... agora sentada á mesa de um café contemporâneo eu prossigo meu relato de um vida passada, porem viva em lembranças. Afinal o que passou foi o físico, o abstrato permanece e sempre permanecerá.

Diferente do que muitos pensam a vida noturna não é uma aventura atrás da outra. Após alguns meses de Magestri eu já podia montar um manual de passo a passo sobre o que fazer, como fazer e com quem fazer. Aquilo havia caído na rotina. Tornou-se um fardo.
O manual consistia em três fases.
1° Um banho de luxuria. Uma verdadeira metamorfose externa. Eu abandonava meus vestidos de estampas senhoris discretas com busto coberto, e me vestia com micro sais, botas gigantescas, maquiagem provocante, e claro, meu cigarro.
A 2° parte consistia em flertar pelas ruas e bares, teatros e casas de som. Vagar descontraída pelas ruas de Magestri.
Cedo ou tarde um peixe mordia a isca e o pescador finalmente podia se alimentar. Assim cumpria-se a 3° fase.
Foi assim por todas as noites, ate que ele apareceu, em uma noite como todas as outras, em um bar como todos os outros.

Meu carrasco vestia um blazer azul escuro perfeitamente desenhado para seu corpo. Tinha queixo pontudo, uma face divinal. Seus olhos pareciam focados em um objetivo eterno. Calçava sapatos de couro reluzente e deslizava sobre o paralelepipedo, vindo ao meu encontro.
Seu andar determinado era encantador, a principio sorri, ele era meu desejo, e se tornaria minha repulsa.

O estranho da noite sentou em minha mesa, de frente para mim.
- Como vai Marcela? - Meus olhos saltaram das órbitas. Ele sabia meu nome, mas como? Eu jamais o tinha visto antes.
- Perdão mas... como o senhor sabe meu nome?

O homem a minha frente sorriu desdenhosamente.
"Não a o que eu não saiba. Não existe quem eu não conheça".

- Bom, deixemos de balela. Como vão as coisas?
Eu estava atônita, aquele estranho me fascinava por sua beleza e me assustava por seu parente conhecimento sobre mim. Tomei fôlego e respondi a sua pergunta.
- Muito bem, obrigada. E o senhor, quem é?
Ele se recostou no estofado da cadeira, soltou outro sorriso malévolo e prosseguiu.
-Não importa quem sou, e sim para o que vim. Sejamos francos Marcela, nada está bem, nada! - Ele gesticulava tranquilamente, me analisava tal como um médico e sua face era indiferente.

- Seu débito está crescendo muito rápido e a hora de paga-lo se aproxima. - O estranho enfiou a mão esquerda no bolso interno do blazer e tirou o que me pareceu um livro. Era marrom com pregas de metal nas extremidades.
Ele colocou o tal livro sobre a mesa, e com o dedo indicador empurrou-o para mim.
- Um presente. Eu o chamo de "O Manual de Boas Maneiras".

- Peguei o livro e fiz menção de abri-lo mas fui interrompida. O estranho segurou minhas mãos, aproximou-se de mim e disse.
- Aqui não! E nem agora. -ele me largou em seguida e levantou-se.
- Foi um prazer revê-la Marcela e antes que eu me esqueça. Siga passo á passo o manual, leia-o e entenderá o que deve ser feito.
-Bom, é isso. Até outro dia então.

E assim como chegara ele partiu, levantei-me para correr atrás dele. Gritei, mas eu não sabia seu nome. O estranho da noite nem sequer olhou para trás, seguiu em frente com o seu andar singular. Mas ele me dera um presente. Ao abrir o livro na primeira página, em uma caligrafia fina e feita á mão, lia-se...

"Físico ou Abstrato"
by. Arlan Souza.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Físico ou Abstrato - Parte 3.


Eu tinha duas coisas a fazer...



compensa-los por tudo que fiz, mesmo que eles jamais tenham descoberto nada.

E segundo, punir-me de alguma forma, cobrar de mim mesma.


Nasci em um lugar lindo, chamado Amanhecer, foi lá que me criei, foi lá que conheci meu marido e foi lá que nos casamos, quando ele se formou em petroquímica nos mudamos para uma cidade maior, porem muito quieta. A cidade perfeita para muitos. Não para mim.

Casei-me com o meu grande amor, tive tudo que eu sempre quis.Tudo!

Nos tempos de menina fui vulgar, materialista e determinada. Estabeleci como meta que eu não morreria em minha terra natal como uma coitada, como uma simples mulher.


Confesso que sempre fui narcisista, sempre quis ser desejada, sempre quis o mundo.


A primeira vez que vim a Magestri foi a vinte anos, no meu primeiro aniversário de casamento. Meu marido levou-me para jantar no Poncas, um extinto restaurante que ficava no centro.
Ludibriei-me com todo as as luzes, com as pessoas e suas roupas. O jeito como falavam e andavam, eu desejei aquela vida ano após anos.

Cinco meses depois voltei sozinha a Magestri, jantei no mesmo restaurante. Vi prostitutas, vi senhores. Foi naquela noite que tracei meus próximos cinco anos.

Era aquela vida que eu queria, eu ansiava em provar daquele vinho, queria me esbaldar, molhar-me completamente.

Na mesma noite fui para cama com um jovem de dezoito anos, ombros fartos, cabelos negros.

Voltei a Magestri seis meses depois, levei todo esse tempo para MATAR minha CONSCIÊNCIA, para me LIVRAR da CULPA. Então não parei mais.

Um ano depois eu estava grávida e sabia perfeitamente que o pai não era o homem com o qual eu me casei. Na verdade eu tinha minhas duvidas sobre quem era o pai.

Me ausentei por um ano e meio.Tive gemeas, duas lindas meninas. Quando meu corpo voltou ao normal tratei de contratar uma baba e voltei a minha VIDA. Passei uma semana em Magestri, eu estava faminta, precisava doar-me.

Aos olhos do meu inocente marido aquela semana eu passei em um spa, ele mesmo notou minha alegria quando voltei.



Foi irónico quando ele disse...

"Querida, você deve voltar mais vezes nesse SPA, você está ótima"


Embora eu tenha causado tanta vergonha, embora eu tenha cometido tantas injustiças, hoje percebo que fui um mal necessário. Sou uma ponte, construída para conduzir minha família a um caminho de paz e felicidade.
Ao longo de muitos anos eu fui o guia de minha família, e desse modo tive que abandona-los quando enfim alcançaram a chegada.
by. Arlan Souza.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Físico ou Abstrato - Parte 2.


"A bondade, o amor, a simplicidade, a lealdade o afeto, a persistência, o carinho.
Tudo isso me foi dado, e tudo isso eu joguei fora!"



O nascer do dia sempre me faz lembrar de minhas filhas, Catarina e Mariana.
Elas acordavam sempre as sete da manhã para irem á escola. Me recordo apenas do barulho irritante que faziam enquanto a empregada as arrumava para o colégio, o barulho da água escorrendo pelo ralo, o abrir e fechar de gavetas e portas e os passos pelo corredor da casa.
Eu sempre me acordava com todo aquele alvoroço mas nunca me levantei para lhes desejar um bom dia ou leva-las para a escola. Eu tinha uma empregada, afinal de contas.


Sei que nunca fui mãe, não no sentido real da palavra. Eu apenas gerei duas meninas lindas de pele morena e extremamente inteligentes. Porem jamais fui uma mãe para elas.

Lembro-me de certa noite quando estava indo ao banheiro, Catarina minha caçula saiu de seu quarto e cruzou meu caminho, naquele tempo ela não passava da minha cintura. Abraçou-me e ergueu a cabeça para falar comigo. - Mãe, a senhora vai dormir em casa está noite? A resposta foi a mesma de sempre...NÃO!
Eu só dormia em casa quando meu marido dormia em casa, ou seja, duas vezes por semana.

Durante os outros dias meu leito era no mundo, ao lado de desconhecidos, ao lado de rapazes, de homens, dos senhores. Em quartos de hotel, de motel, em carros e em casas que não eram a minha.
Para minhas filhas eu estava trabalhando, e a regra principal desse emprego é que o papai não poderia saber que ele existia porque era uma surpresa e eu contaria quando chegasse o momento certo.

Eu não estava em casa quando Marcela caiu da escada e quebrou dois dentes da frente. Eu não estava em casa quando Catarina teve febre acima dos quarenta graus, e não estava em casa quando ambas completaram oito anos. Fui ausente, desde de sempre!
Minha presença se fazia na noite, em lugares mais interessantes. Em bares, boates, camas que não eram minhas. Nada por dinheiro, tudo por prazer!
Meu corpo saciou toda sua sede, toda sua vontade. Ao longo de cinco anos eu passei minhas noites de terça, quarta, quintas e sextas- feiras rolando de cama em cama, bebendo de bar em bar. Sorrindo para pessoas que eu nunca tinha visto, cantando com pessoas que eu jamais soube quem realmente eram.

Naquele tempo eu me intitulava uma profissional, uma mulher esperta. Conseguia enganar a todos fazendo o papel de dona de casa, boa mãe e da mulher perfeita.

Meu marido formou-se em petroquímica e trabalhava em uma empresa multinacional. Viagens, longas e pesquisas, quase sempre passava noites e noites no trabalho. Mas apesar da distância ele jamais foi ausente. Apesar de tanto trabalho meu marido nunca deixou de ser o melhor pai, o melhor marido. Um homem ímpar.
Ele ligava sempre que possível, e quando estava de folga aproveitava cada minuto ao lado da família. Eu como sempre...ausente.
Ele compreendia minha ausência e até respeitava, dizia que eu precisava me distrair, sair com minhas amigas, fazer compras, viajar.

Mas eu não tinha amigas, porem eu me distraia, eu viajava.Apesar da minha ausência eles me deram amor, me ofereceram lealdade, afeto.

Eles foram persistentes, mas eu desisti, e minha ausência tornou-se definitiva.




by. Arlan Souza.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Físico ou Abstrato - Parte 1.




"As metrópoles, ou cidades grandes, como queiram chamar. São verdadeiros amontoados de lixo! Onde todos passam para despejar seus restos, suas sobras, ou melhor, são nelas que todos passam e deixam seu pedacinho sujo."


... Semana passada eu estava sentada no café Royale quando chegou um grupo de trés pessoas. Provavelmente executivos, homens da alta. Entre eles haviam duas mulheres, duas biscates igualmente da alta, mas elas não ocupavam o mesmo podium que eles, mocinhos, senhores do mundo. Elas eram da alta, da alta sociedade de mulheres da vida. - Vadias.

Todos estavam bem trajados. Os homens despiram seus paletós e sentaram-se sem nem ao menos fazerem a cortesia de oferecer o lugar primeiro as senhoritas - Ah claro, elas não se importavam com isso.

Continuei tomando meu café com leite e chantili. Fazia um friozinho de fim de tarde eu estava muito bem agasalhada, e me detive a olhar para a mesa dos senhores.
Papo vai papo vem, beijinhos, sussurros; conversas totalmente baixas e cheias de segundas intenções.

Tentei imaginar a vida daqueles homens além café Royale em uma noite de inverno. Provavelmente pais de família. Chefões do mundo e da rasosite. E vejamos onde estavam agora.
Em um café, com mulheres do mundo. Por que?

Por que não com suas mulheres e com seus filhos no teatro do outro lado da rua? Ou talvez no Baltazares, um restaurante tradicionalíssimo do centro? Ou até mesmo em suas casas, na cabeceira da mesa á hora do jantar?

Por que? Por que ali, e com aquelas mulheres?

Eu sabia muito bem a resposta, afinal eu já tinha percorrido aquele caminho antes, eu já havia feito o que eles fazem agora, de outra forma claro. Mas eu já fui como eles.

A noite chegou rápido, ao contrário de sua partida.
Eu precisava ir embora para alimentar Peter, e em poucas horas a Magestri, como era chamada aquela cidade imunda, acordaria e tudo seria como realmente é.
Em poucas horas haveriam letreiros acessos convidando a todos que passassem nas ruas para uma noitada de orgias.
As luzes da avenida principal se mostrariam tentadoras. As ruas se encheriam de gritinhos abafados dos recém chegados, e claro, haveria as conversas mais despreocupadas de gente que já está ali a muito tempo.
Em meia hora veriam-se vestidos ao vento, corpos nus, insinuações vulgares. A noite de Magestri não é lugar para mim, uma mulher de meia idade, uma quase senhora.

Minha casa fica no fim da rua rimel, ao lado da antiga Casa Flet. Faço o mesmo caminho a cinco anos. Aceno para Jorge, um velho senhor que rega suas margaridas sempre as seis da tarde, pego minha correspondência ( contas á pagar) e entro no meu refúgio, no meu castelinho de areia.

Peter me lança aquele olhar de descaso -, Fome na verdade. Pobre do meu gato passou o dia todo com fome. Mentira! Eu o alimentei antes de sair.
Peter se enrosca por entre minhas pernas, meu filho, meu amigo. Meu gatinho faminto.
Deixo ele na cozinha, comendo seu enlatado. Minha casa é bem modesta, ela me é suficiente.
Subo minha adorada escada de caracol, lá em cima ficam meus maiores tesouros, meus registos, minhas lembranças.

Troquei as janelas do quarto de cima logo que me mudei. Mandei instalar janelões que pendem do teto até o chão, decorei-os com cortinas de cetim. No parapeito à almofadas, eu me sento por entre elas, arrasto um pouco a cortina e fico a bisbilhotar a vida lá fora...a noite de Magestri.


...
by. Arlan Souza.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

for you.



Aquela foi talvez uma das maiores verdades que eu já disse em minha vida.


"Você sempre fará parte daquilo que fui e daquilo que me tornei"


Você será como uma maldição que me afligirá sempre que eu estiver passivo. Sempre que eu lembrar da minha bagagem você vai se mostrar como o maior dos meus itens.

Lembro-me perfeitamente que antes eu pensava que jamais deixaria de te amar, porem, como pudera uma criança entender que é o amor?

Sim, eu te amei e ainda te amo, mas acontece que amor não é simplesmente desejar alguém, amar não é simplesmente querer sua presença, seu abraço. O real amor é compreensivo, o amor de verdade nos permiti enxergar com clareza e nos faz abrir mão do outro, pela felicidade do outro.

Mas eu abri mão de você... primeiro porque nunca lhe tive. Segundo, porque eu amo mais a mim mesmo.

Doeu tanto saber que eu estava deixando de te amar, mas o tempo me mostrou que não se deixa de mar alguém, que o amor nunca morre, talvez ele durma, ou talvez quem sabe, ele evolua. Hoje eu me sinto feliz ao ver que você parece feliz. Me entristeço por saber que talvez lhe falte algo, e fico mais infeliz ainda por saber, sei lá eu, que este algo não sou eu.

Eu só queria entender por que paro de respirar quando te vejo? Por que ainda sonho com você?Faz tanto tempo que eu parei de chutar as paredes do banheiro, faz tanto tempo que eu parei de gritar e chorar. Eu não espero mais por você! Mas, será que o meu vazio ainda é seu? Será mesmo que eu andei tanto para terminar a onde tudo começou? As vezes tudo isso parece que jamais aconteceu, é como lembrar da infância. Parece até um filme, sei lá. É como se tudo não passa-se de um pensamento tolo e infantil. Eu ti vi hoje e congelei instantaneamente. Meu coração parou e eu precisei de alguns segundos para recuperar o fôlego.


Espero que no seu íntimo você esteja bem.

De uma maneira só minha, eu ainda te amo.



P.S "eu não choro mais por você."

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Procura-se.



Já teve leitor do blog dizendo que minhas postagens são muito melancólicas e sentimentais. Ok, não posso mudar. Ou melhor, até posso.
Se foi essa a impressão que causei, tudo bem. Muito prazer, este sou eu.

Sendo assim vamos lá, deixa eu ser dramático, deixa eu ser sentimentalista e melancólico. Muito doque acontece comigo certamente aconteceu ou acontecerá com outras pessoas, ou com quase todo mundo. Existem pessoas um tanto quanto "curiosas", bom, na falta de uma palavra mais apropriada, deixemos essa. Geralemte essas pessoas tem o hábito de utilizar-se daquela velha conversa sem pé nem cabeça.
- Posso te perguntar uma coisa? Você promete não ficar chateado? Jura que não vai ficar com raiva de mim?Pronto, já viu né? Ai tem coisa.
Eu que préso até certo ponto pela sinceridade e a liberdade, digo que sim! Vá em frente, pergunte.

Quase sempre eu já até sei qual é a pergunta -, foram raras as vezes em que fui surpreendido. Isso indica o quanto conheço de mim mesmo. Bom, eu terminaria por aqui a postagem de hoje ou melhor, em parte ela termina aqui mesmo.
Conclua você leitor o que eu quis dizer, ou até mesmo qual era a tal pergunta. Trocando de roupa quero dar sentido ao tema da minha postagem. Procura-se.
Não sei você, mas eu sempre que estou na rua procuro em cada olhar, em cada pessoinha que passa por mim, procuro não sei o que. É como se eu estivesse a espera de alguém, e por isso me sinto na necessidade de estar sempre á procurar. Seja no ponto de ônibus, seja ao atravessar a rua eu sempre olho, sempre procuro.

Algumas pessoas retribuem como se também estivesse procurando algo. Outras desviam o olhar, abaixam a cabeça. Estas talvez já tenham encontrado o que eu ainda procuro.

Devo ser doido ou algo do gênero.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Sei lá.

Talvez hoje eu me perca, talvez hoje eu fale de coisas que não sei. Talvez eu me contradiga. Sei lá.
Sabe, existem coisas que nos seguem para sempre, eu chamo isso de essência, de valores próprios. Ignora-los é não ser EU, é ir contra meus princípios.
Existem coisas que acredito e que desejo desde de criança, existem também tantas outras que sempre pensei jamais mudar de opinião a respeito. É como eu sempre digo...estar aqui hoje não significa necessariamente estar aqui amanhã.

Eu tenho perguntas, sim. Muitas delas.
Vou pergunta-las ao vácuo...

Porque fazemos coisas que sabemos serem erradas?
Por que continuamos errando, e o pior, estando ciente do erro?
Eu realmente estou seguindo meu coração?
O que é certo? O que é errado?

Um bom principio para tudo é antes de mais nada conhecer a si próprio, conversar com sigo mesmo a seu respeito.
Falar de você para você!
Pretendo praticar, embora eu já o faça a muito tempo.
Sinto que me perco em minhas palavras. As vezes eu as olho e não vejo sentido.
Talvez seja exatamente isso...
eu ando sem sentido; estou vagando dentro de mim mesmo.

Sei lá.

Sim, quando escvrevo inicialmente as palavras fazem total sentido, traduzem o que sinto, porem apenas naquele momento.
Descobri que sou bipolar, ou talvez até multipolar.

Um desejo particular= Eu quero colocar minha mochila nas costas, o Eduardo debaixo do braço e ir embora. Ir para bem longe, para um lugar que eu não conheça. Queria ficar em silêncio, observar a lua, e sentir o mundo. Queria ouvir o som das baleias.
Quero ir embora mas não sei para onde. Nada parece me satisfazer, embora eu ainda não tenha provado muitas coisas.

Boa noite.
 
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