terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Físico ou Abstrato - Parte 1.




"As metrópoles, ou cidades grandes, como queiram chamar. São verdadeiros amontoados de lixo! Onde todos passam para despejar seus restos, suas sobras, ou melhor, são nelas que todos passam e deixam seu pedacinho sujo."


... Semana passada eu estava sentada no café Royale quando chegou um grupo de trés pessoas. Provavelmente executivos, homens da alta. Entre eles haviam duas mulheres, duas biscates igualmente da alta, mas elas não ocupavam o mesmo podium que eles, mocinhos, senhores do mundo. Elas eram da alta, da alta sociedade de mulheres da vida. - Vadias.

Todos estavam bem trajados. Os homens despiram seus paletós e sentaram-se sem nem ao menos fazerem a cortesia de oferecer o lugar primeiro as senhoritas - Ah claro, elas não se importavam com isso.

Continuei tomando meu café com leite e chantili. Fazia um friozinho de fim de tarde eu estava muito bem agasalhada, e me detive a olhar para a mesa dos senhores.
Papo vai papo vem, beijinhos, sussurros; conversas totalmente baixas e cheias de segundas intenções.

Tentei imaginar a vida daqueles homens além café Royale em uma noite de inverno. Provavelmente pais de família. Chefões do mundo e da rasosite. E vejamos onde estavam agora.
Em um café, com mulheres do mundo. Por que?

Por que não com suas mulheres e com seus filhos no teatro do outro lado da rua? Ou talvez no Baltazares, um restaurante tradicionalíssimo do centro? Ou até mesmo em suas casas, na cabeceira da mesa á hora do jantar?

Por que? Por que ali, e com aquelas mulheres?

Eu sabia muito bem a resposta, afinal eu já tinha percorrido aquele caminho antes, eu já havia feito o que eles fazem agora, de outra forma claro. Mas eu já fui como eles.

A noite chegou rápido, ao contrário de sua partida.
Eu precisava ir embora para alimentar Peter, e em poucas horas a Magestri, como era chamada aquela cidade imunda, acordaria e tudo seria como realmente é.
Em poucas horas haveriam letreiros acessos convidando a todos que passassem nas ruas para uma noitada de orgias.
As luzes da avenida principal se mostrariam tentadoras. As ruas se encheriam de gritinhos abafados dos recém chegados, e claro, haveria as conversas mais despreocupadas de gente que já está ali a muito tempo.
Em meia hora veriam-se vestidos ao vento, corpos nus, insinuações vulgares. A noite de Magestri não é lugar para mim, uma mulher de meia idade, uma quase senhora.

Minha casa fica no fim da rua rimel, ao lado da antiga Casa Flet. Faço o mesmo caminho a cinco anos. Aceno para Jorge, um velho senhor que rega suas margaridas sempre as seis da tarde, pego minha correspondência ( contas á pagar) e entro no meu refúgio, no meu castelinho de areia.

Peter me lança aquele olhar de descaso -, Fome na verdade. Pobre do meu gato passou o dia todo com fome. Mentira! Eu o alimentei antes de sair.
Peter se enrosca por entre minhas pernas, meu filho, meu amigo. Meu gatinho faminto.
Deixo ele na cozinha, comendo seu enlatado. Minha casa é bem modesta, ela me é suficiente.
Subo minha adorada escada de caracol, lá em cima ficam meus maiores tesouros, meus registos, minhas lembranças.

Troquei as janelas do quarto de cima logo que me mudei. Mandei instalar janelões que pendem do teto até o chão, decorei-os com cortinas de cetim. No parapeito à almofadas, eu me sento por entre elas, arrasto um pouco a cortina e fico a bisbilhotar a vida lá fora...a noite de Magestri.


...
by. Arlan Souza.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

for you.



Aquela foi talvez uma das maiores verdades que eu já disse em minha vida.


"Você sempre fará parte daquilo que fui e daquilo que me tornei"


Você será como uma maldição que me afligirá sempre que eu estiver passivo. Sempre que eu lembrar da minha bagagem você vai se mostrar como o maior dos meus itens.

Lembro-me perfeitamente que antes eu pensava que jamais deixaria de te amar, porem, como pudera uma criança entender que é o amor?

Sim, eu te amei e ainda te amo, mas acontece que amor não é simplesmente desejar alguém, amar não é simplesmente querer sua presença, seu abraço. O real amor é compreensivo, o amor de verdade nos permiti enxergar com clareza e nos faz abrir mão do outro, pela felicidade do outro.

Mas eu abri mão de você... primeiro porque nunca lhe tive. Segundo, porque eu amo mais a mim mesmo.

Doeu tanto saber que eu estava deixando de te amar, mas o tempo me mostrou que não se deixa de mar alguém, que o amor nunca morre, talvez ele durma, ou talvez quem sabe, ele evolua. Hoje eu me sinto feliz ao ver que você parece feliz. Me entristeço por saber que talvez lhe falte algo, e fico mais infeliz ainda por saber, sei lá eu, que este algo não sou eu.

Eu só queria entender por que paro de respirar quando te vejo? Por que ainda sonho com você?Faz tanto tempo que eu parei de chutar as paredes do banheiro, faz tanto tempo que eu parei de gritar e chorar. Eu não espero mais por você! Mas, será que o meu vazio ainda é seu? Será mesmo que eu andei tanto para terminar a onde tudo começou? As vezes tudo isso parece que jamais aconteceu, é como lembrar da infância. Parece até um filme, sei lá. É como se tudo não passa-se de um pensamento tolo e infantil. Eu ti vi hoje e congelei instantaneamente. Meu coração parou e eu precisei de alguns segundos para recuperar o fôlego.


Espero que no seu íntimo você esteja bem.

De uma maneira só minha, eu ainda te amo.



P.S "eu não choro mais por você."

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Procura-se.



Já teve leitor do blog dizendo que minhas postagens são muito melancólicas e sentimentais. Ok, não posso mudar. Ou melhor, até posso.
Se foi essa a impressão que causei, tudo bem. Muito prazer, este sou eu.

Sendo assim vamos lá, deixa eu ser dramático, deixa eu ser sentimentalista e melancólico. Muito doque acontece comigo certamente aconteceu ou acontecerá com outras pessoas, ou com quase todo mundo. Existem pessoas um tanto quanto "curiosas", bom, na falta de uma palavra mais apropriada, deixemos essa. Geralemte essas pessoas tem o hábito de utilizar-se daquela velha conversa sem pé nem cabeça.
- Posso te perguntar uma coisa? Você promete não ficar chateado? Jura que não vai ficar com raiva de mim?Pronto, já viu né? Ai tem coisa.
Eu que préso até certo ponto pela sinceridade e a liberdade, digo que sim! Vá em frente, pergunte.

Quase sempre eu já até sei qual é a pergunta -, foram raras as vezes em que fui surpreendido. Isso indica o quanto conheço de mim mesmo. Bom, eu terminaria por aqui a postagem de hoje ou melhor, em parte ela termina aqui mesmo.
Conclua você leitor o que eu quis dizer, ou até mesmo qual era a tal pergunta. Trocando de roupa quero dar sentido ao tema da minha postagem. Procura-se.
Não sei você, mas eu sempre que estou na rua procuro em cada olhar, em cada pessoinha que passa por mim, procuro não sei o que. É como se eu estivesse a espera de alguém, e por isso me sinto na necessidade de estar sempre á procurar. Seja no ponto de ônibus, seja ao atravessar a rua eu sempre olho, sempre procuro.

Algumas pessoas retribuem como se também estivesse procurando algo. Outras desviam o olhar, abaixam a cabeça. Estas talvez já tenham encontrado o que eu ainda procuro.

Devo ser doido ou algo do gênero.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Sei lá.

Talvez hoje eu me perca, talvez hoje eu fale de coisas que não sei. Talvez eu me contradiga. Sei lá.
Sabe, existem coisas que nos seguem para sempre, eu chamo isso de essência, de valores próprios. Ignora-los é não ser EU, é ir contra meus princípios.
Existem coisas que acredito e que desejo desde de criança, existem também tantas outras que sempre pensei jamais mudar de opinião a respeito. É como eu sempre digo...estar aqui hoje não significa necessariamente estar aqui amanhã.

Eu tenho perguntas, sim. Muitas delas.
Vou pergunta-las ao vácuo...

Porque fazemos coisas que sabemos serem erradas?
Por que continuamos errando, e o pior, estando ciente do erro?
Eu realmente estou seguindo meu coração?
O que é certo? O que é errado?

Um bom principio para tudo é antes de mais nada conhecer a si próprio, conversar com sigo mesmo a seu respeito.
Falar de você para você!
Pretendo praticar, embora eu já o faça a muito tempo.
Sinto que me perco em minhas palavras. As vezes eu as olho e não vejo sentido.
Talvez seja exatamente isso...
eu ando sem sentido; estou vagando dentro de mim mesmo.

Sei lá.

Sim, quando escvrevo inicialmente as palavras fazem total sentido, traduzem o que sinto, porem apenas naquele momento.
Descobri que sou bipolar, ou talvez até multipolar.

Um desejo particular= Eu quero colocar minha mochila nas costas, o Eduardo debaixo do braço e ir embora. Ir para bem longe, para um lugar que eu não conheça. Queria ficar em silêncio, observar a lua, e sentir o mundo. Queria ouvir o som das baleias.
Quero ir embora mas não sei para onde. Nada parece me satisfazer, embora eu ainda não tenha provado muitas coisas.

Boa noite.
 
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