quarta-feira, 21 de abril de 2010

Físico ou Abstrato - Parte 5.

Escrevo então algumas palavras daquele livro. Palavras que me apunhalaram três vezes. Palavras de um destino possível, de um castigo passageiro.


Capitulo Um.

Uma Vida Sem Você.


Um quarto com paredes pintadas de branco luz florescente e um silêncio medonho. No meio do quarto uma poltrona igualmente branca e um homem caquético; magro e acabado. Sentado ele balança sua cabeça para lá e para cá, tal como um relógio cuco. Este homem já foi lúcido e carregou um sorriso na face. Seus cabelos eram bem cuidados e sua mente mais calma. Hoje sentado em sua poltrona ele interroga a se mesmo com uma quase canção.
É algo mais ou menos assim....
......por que por que, por que comigo? O que eu a fiz? O que eu deixei faltar? Por que por que, onde estás? Por que por que...POR QUEEEEEEE...
Ele interroga o vácuo em uma espécie de melodia constante. Este homem viu seu mundo cair quando sua metade foi embora. Pouco á pouco a dúvida o fez emergir para dentro de se mesmo. Até ele esquecer quem era, até ele esquecer que mais vidas despediam da sua. Vidas indefesas que perdiam ao mesmo tempo a cruz e a espada. O pai e a mãe.
Mas este homem nunca se esqueceu daquela que o abandonou, aquela que o presenteou com uma lacuna. Uma dúvida quase eterna.


Capitulo Dois.
Por que Você Não Voltou?


"Está viajando" - É o que respondiam quando a menina perguntava pela mãe. A pequena si perguntava por que a mãe foi sem se despedir, sem dizer até logo como sempre fazia. Mas acabou acreditando, afinal de contas ela só tinha dez anos e ainda acreditava em gente grande. Os anos se passaram e sua mãe não voltou. Aos treze anos ela já não acreditava mais em coelhinho da Páscoa e descobriu que tinha sido abandonada; deixada ao Deus dará.
Então começaram as crises e os pesadelos.
Um cigarro para acalmar e uma garrafa de vinho para rir ao invés de chorar. Aos quinze anos ela decide procurar a mãe e foge de casa. Aos dezesseis engravida de um marginalzinho filho da puta e nove meses depois entra em trabalho de parto na sarjeta de uma rua qualquer, morre ali mesmo com o filho a meio caminho do mundo.


Capitulo Três.
A Culpa é Sua.

A mais velha das gêmeas encontrou outra forma de amenizar a dor da perda. Tomava balinhas para dormir, lia romances baratos e si dizia melâncolica. Ouvia Avril e era revoltada.
Aos dezoito anos encontrou o príncipe de sua vida; um verdadeiro capa da capricho, mas como quase todos os príncipes contemporâneos esse só era bonito por fora. Um verdadeiro sapo por dentro.
Seu casamento foi um sonho até o sexto mês, depois começaram as cobranças. Seu maridinho queria poder e lucidez por parte da esposa que vivia a si dopar.
Logo o príncipe convenceu sua donzela indefesa a internar o pai, um lunático completo. O príncipe sábia lutar e sua mulher apanhava muito bem. Eles tiveram um filhinho que nasceu com sérios problemas cardíacos, segundo o médico o coração do bebê não se formou corretamente devido a grandes doses de medicamentos ingeridos sem o mínimo controle por sua mãe. A vida da princesinha afundou ainda mais. Ela odiava o próprio filho, o considerava um fardo a carregar.


...nada saiu como eu havia planejado! Cai, e então morri por algumas horas.

 
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