terça-feira, 20 de novembro de 2012

My body and my soul.

Penso agora, que ao longo de todo o dia sou apenas carne. Não posso negar que casualmente, ao longo do passar das horas o inconsciente me assombra, me chama, mas eu não respondo.
 Agora, em meu quarto, sozinho e com a noite sobre mim, sou alma. Espirito e nada mais. Meu corpo dorme em algum lugar que não sei onde é. E por algum motivo que eu também não sei, eu não quero saber onde ele possa estar.
É bom ser apenas alma, sem corpo, sem nada que me prenda de fato a este mundo, ou a lugar algum.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Os meninos querem chegar em casa com vida.


  imagem - google.

Os meninos querem voltar pra casa, mamãe precisa dormir em paz e papai não quer ir deitar muito tarde.
Ei, onde está o Batman em uma  hora dessas? Gotham talvez não careça tanto da presença dele. Ponhamos pois então, para ontem até, um luminoso bem lá no alto do nosso Empire State para chama-lo a atenção.
Os meninos querem chegar em casa! Mamãe não quer chorar!
Podíamos montar uma gangue do bem. Podíamos fazer uma passeata, igual a uma que vi naquele filme do Milk. Fazer um discurso parecido com o dele também e podíamos começar com um pedaço de outro discurso, - I HAVE A DREAM...
Os meninos estão correndo, mas não para alcançar o ônibus da escola.
A mãe chora e o governador só fala em números, espera um pouco, ouço promessas falsas, palavras vazias. É  o eco de tiros noturnos, diurnos, matutinos e constantes.
Eu corro, corro para chegar em casa vivo.
Não ouço mais os meninos!
Ouço o grito estridente de dor, e o pior,  vejo medo. O medo de um milhão e a violência de um.
Mamãe dorme para não sentir, embora penso que ela sinta, mesmo dormindo.
Eu corro para gritar...
           Ei, não podemos nos acomodar.




quinta-feira, 15 de novembro de 2012

velhos diários precisam ser queimados.


                                                           (FOTO: Arlan Souza)



Velhos diários precisam ser queimados. O passado nem sempre deve ser evocado, pois as lembranças podem não ser boas.
Fico com o que houve de bom. A parte ruim deixarei a cargo de minha consciência, pois esta por si só fará com maestria o trabalho de me refrescar a memória quando por algum vacilo eu pensar em andar pelos mesmos caminhos, ou fazer as mesmas escolhas.

Não doeu queimar o passado. Os gritos escritos e as dores abafadas, a verdade contida. Tudo, tudo queimou em chamas altas, em fogo duradouro.
Não sou tolo a ponto de pensar que uma mera fogueira pode assim tão banalmente apagar o que foi escrito naquelas páginas. Mas foi no fogo e somente nele que encontrei uma forma de não mais me martirizar ou  chorar por outrora.
Ao inferno com promessas falsas de que agora em diante tudo será diferente e uma nova estória será escrita e blábláblá. Não! Não haverá nenhuma nova estória, continuarei escrevendo a mesma! Eu só preciso ajusta-la e isso eu posso fazer. Eu vou fazer!
Meu discurso soa com ar político e eu odeio isso! Harrrr.
Com as cinzas que restaram eu me propus a escrever VIDA, palavra tão gasta e tão maltratada por mim, por nós todos.

Velhos diários precisam ser queimados, mas continuo guardando comigo um ou dois. São aqueles dos tempos bons. Das noites de estrelas, dos dias de verão intenso e dos tempos da turma do fundão. Tempos de verdades e segredos revelados. Tempos de família e de amizade. Tempos que eu tenho imensa saudade!



                                                         Green Day - Jesus of suburbia


 
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