terça-feira, 31 de dezembro de 2013

VIVA


(imagem: Google)

                                                       
Eu não poderia deixar um ano tão bom ir embora sem antes dizer o meu muito OBRIGADO!
Dois mil e treze não foi um ano 13! Foi um ano 3, um ano 7, um ano bom!
Um ano bom porque projetos se tornaram realidade, porque fiz muito daquilo que eu tinha planejado e prometido. Eu sorri mais, muito mais. Eu conheci lugares novos, gente nova.
Também conheci um pouco mais sobre mim mesmo, sobre o meu caráter, os meus limites e as minhas reais necessidades. Dinheiro não é tudo!
Em dois mil e treze eu tive que abir mão de sonhos já conquistados para conseguir realizar outros, na verdade eu tive que pausar alguns sonhos, até porque sonhos meu caro, sonhos não podem ficar sem realização.
Aprendi também que preguiça é um virús perigoso, tinhoso e viciante, Deus me livre!
Em 2013 eu descobri que o céu não o limite, e desse modo eu pude voar, ver o horizonte; o infinito!
Em 2013 eu entendi finalmente que um beijo bom não pode ter hora marcada, e entendi também que não é só porque o beijo foi bom que tem que ser pra sempre. Beijos são beijos, relationships são outras coisas.
Neste ano que já ta acabando eu usei muito mais chinelo, camiseta e bermuda;eu tirei muito mais fotos fora de casa. Muito mais fotos compartilhadas, muito mais textos, contos, histórias. Eu descobri bandas novas, livros novos e comidas novas. Foi uma explosão de sabores, pessoas, lugares e sentimentos.
O camaleão cresceu, fidelizou, foi citado e lembrado. Passei mais tempo aqui também, li e reli isso aqui milhares de vezes e poxa, como me orgulho do meu cantinho, das minhas singelas palavras.
Agradeço a todos, amigos, colegas, família, Deus, leitores e a mim mesmo.
Obrigado 2013 pela força, pelos sorrisos e pelo amor.

VIVA 2013, VAMOS VIVER 2014!!!

sábado, 28 de dezembro de 2013

PHILADElPHIA

Por sorte a insônia me pegou hoje e então decidi ir ver TV.
Me deparei com "PHILADElPHIA", filme da década de noventa que eu já estava procurando há algum tempo.
É interessante poder ver o olhar de uma geração anterior sobre temas tão delicados e complicados, mais interessante ainda é poder ver como podemos progredir como sociedade, como pessoa, como tecnologia em prol da vida.
Hoje o número de pessoas que morrem em decorrência da AIDS é provavelmente bem menor, mas certamente o número de pessoas que vivem com a doença é maior. Isso graças as maravilhas da ciência moderna e seus coquetéis, comprimidos e tratamentos diversos.
Mas uma coisa que certamente não mudou (infelizmente) foi o nosso pré-conceito tolo, o nosso pré julgamento idiota e a nossa mania feia de excluir os diferentes, de separar e categorizar tudo, nossas amizades, nossa família, amigos e relações.

Atuações fantásticas de Tom Hanks, Antonio Banderas e Denzel Washington.
Assistam!



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A terra já não me cabia, decidi voar!

O meu maior compromisso é com a vida.
 A Minha luta é pelo bem estar. Pelo prazer, pelo sentir e por aquilo que me faz transcender.
A Minha caminhada é em busca de sorrisos, de sinceridade e verdade.

Eu firmei compromisso com os meus sonhos, temos um pacto de vida ou morte.
Me apaixonei pelo sol, e morro de amores pela lua.
O céu já não é mais um limite!
Adoro acordar, porque adoro o amanhecer.
Amo dormir, porque a noite quase sempre tem estrelas.

Há em mim uma ausência não sei do que, nem de quem.
Tenho em mim uma inquietude, um fogo, uma agitação.
Me cobro, estabeleço metas e corro atrás.

O capitalismo me corrói, tento fugir e sei que vou conseguir.

A terra já não me cabia, decidi voar!
Melhor coisa que fiz.







sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Descanse em PAZ.



Somos uma geração carente de bons exemplos públicos!
Os grandes homens e as grandes mulheres estão quase todos mortos, o que ouvimos hoje são histórias, lembranças, pedaços de um tempo de heróis.

Fico contente, em poder dizer que ainda que por poucos anos, compartilhei do mesmo tempo e simpatizei com as mesmas ideias e ideais de um homem tão sábio, guerreiro e resistente.

Aqui na terra um grande exemplo. Hoje no infinito com o Criador, uma nova estrela pra servir de norte a todos aqueles que acreditam que mais importante que a cor da pele, é o brilho nos olhos.

Descanse em Paz, Nelson Mandela.





segunda-feira, 25 de novembro de 2013

De quando eles se conheceram. (Ferdinando)


Aquele era o ultimo dia do ano e Marcelo estava só!
Ele havia passado a ultima semana na ilha concluindo uma pesquisa para o mestrado, e não conseguiu encontrar lugar no ultimo voo do ano. Não fosse o fato de estar sozinho, aquele seria um fim de ano maravilhoso. Estava em Florianópolis, hospedado em uma pousada afastada do centro e bem próxima a areia branca e fresca da praia. Quando a noite chegou, lá pelas nove horas ele decidiu ir dar uma volta, talvez tomar alguma coisa e contemplar sentado na orla o chegar de mais um ano. Vestiu-se com camisa e bermuda e saiu.
A ilha estava cheia, amarrotada de gente. Marcelo pensou em voltar, mas foi convencido a ficar quando contemplou o mar e suas ondas, e mais acima, o céu. A noite estava linda!
 Avistou um pouco mais a frente um quiosque e foi até lá comprar uma bebida. Pediu uma cerveja e tornou a caminhar pela areia. Olhava ao redor com saudades de casa, lembrou-se primeiro da irmã, Bia, com quem  falara mais cedo ao telefone. Ela certamente estaria com o namorado na casa dos pais deles ao redor de uma mesa farta, com tios cheios de histórias, reais ou não. Uma ou duas tias fofoqueiras, muitos primos que não se vêem há muitos meses, ou até anos. Uma mãe coruja, um pai chatão e gente boa e todos envoltos de um sentimento aconchegante, que eu só conheço por FAMÍLIA. 
Marcelo lembrava dessas coisas com saudade, mas sem tristeza, afinal de contas em breve estaria em casa. Ele foi para perto de um grupo de estudantes, sentados ao redor de uma fogueira tocando roque nacional. Sentou perto de algumas pedras e logo foi convidado a chegar mais perto. As pessoas ficam mais propensas a amizades em noites de fim de ano, pensou ele. Na roda de música tinha bebida, tinha erva, tinha mulheres bonitas, gente descontraída e sorridente, e tinha também um rapaz, sentado um pouco afastado em um tronco de arvore seco. E foi o rapaz em especial que chamou a atenção de Marcelo.
Primeiro ele tentou uma aproximação casual, com troca de olhares, mas não rolou. O rapaz não retribuía o olhar, estava meio fechadão, perdido em pensamentos. A galera ao redor ia trocando ideias com Marcelo, ele ia cantando junto com eles também, mas sem desgrudar os olhos do rapaz do outro lado da fogueira. O cara ainda não tinha percebido as deixas de Marcelo, e foi quando ele tomou coragem e em meio ao Blues da piedade de Cazuza atravessou o circulo de pessoas e foi sentar-se ao lado do desconhecido.
 - Você não toma nenhuma cerveja. - Questionou Marcelo.
- Oi? - O rapaz se assustou como quem acabara de sair de um transe.
- Oi! Tudo bom? - Marcelo estendeu a mão para comprimenta-lo. - Me chamo Marcelo, e você?
- Tu-tudo bem... Fe-Ferdinando. - ele apertou a mão de Marcelo meio desconfiado e sorriu.
- Então - continuou Marcelo. Você não bebe?
- Bebo sim! - Você faz parte da turma - Perguntou Ferdinando.
- Acho que sim. Tomei um pouco de vinho com vocês e já estou na roda cantando faz mais de uma hora. Então acho que já faço parte da turma sim, rs.
Ferdinando sorriu outra vez.
- E você, também faz parte da turma. - retribuiu Marcelo.
- É, faço sim. Somos estudantes de filosofia da UFSC.
- Filosofia? Bacana! - Eu faço mestrado em história do Brasil.
Ferdinando estava um pouco assustado com o estranho do mestrado em historia do Brasil, mas gostou da invasão repentina aos seus devaneios. Aos poucos o papo foi tomando corpo e se prolongando. As musicas tocado logo ali ao lado deles foi ficando mais distante a medida que um ia contando para o outro o que os tinha levado até ali naquele noite de trinta e uma de dezembro. Marcelo era bastante engraçado e Ferdinando adorava sorrir.
- Você disse que bébe, mas não está tomando nada. Quer que eu pegue uma cerveja pra você.
- Não não  cara, não precisa.
- Por que não?
- Por que eu tenho medo de beber demais e fica jogando pela praia, a galera da republica gosta de zoar pra valer os bêbados de fim de ano.
- Hahahah, você ta com medo de ser zuado?
- Tô sim ué, instinto de proteção própria.
- Então relaxa! Eu cuido de você se você ficar bêbado. Nesse exato momento Ferdinando ficou sério e Marcelo também. Por algum segundos nenhum dos dois disse nada, até que Marcelo cortou o silêncio:
- Você quer sair daqui, ir dar uma volta?
- Quero sim! - respondeu Ferdinando automaticamente.
Eles foram caminhar pela praia, em uma parte mais distante de onde estavam acontecendo as comemorações. Até que pararam e sentaram na areia com os pés tocando o ultimo suspiro das ondas que quebravam na praia, um ao lado do outro. Ferdinando falou primeiro.
- E então, você não tem ninguém? Uma namorada?
- Não! E você? tem alguém?
- Também não!
O silêncio voltou a imperar entre os dois e só foi quebrado quando os fogos de artificio explodiram no céu projetando mil cores e formas na noite linda de Florianópolis. Nesse momento Marcelo  estava parado olhando para Ferdinando que contemplava as luzes no céu.
- Feliz ano novo. - desejou Marcelo.
- Feliz...- Ia respondendo Ferdinando quando Marcelo lhe surpreendeu com um beijo na boca.


... e foi assim que os dois se conheceram, no fim de um ano e começo de outro.



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

in SATISFAÇÃO





"Vai curtir.  Vai transar com alguém que amanhã você não lembre o nome.  Vai ficar bêbado"


Estas são palavras, ou melhor, conselhos, de um amigo.
E sinceramente acho que ele tem total razão. A porra da vida já é algumas vezes pesada demais pra ficarmos só de mimimi.
E esse texto é sobre isso, sobre encontrar mais satisfação no que fazemos (no que eu faço) e menos in satisfação. 
O meu problema sempre foi PENSAR DEMAIS no que fazer, quando fazer, com quem fazer. Careço de um pouco de desapego, de desleixo, de deixar a vida me levar. Mas isso é perigoso, isso é se deixar perder pra se encontrar.
Em qualquer alegoria de metas, acredito que a primeira coisa a ser feita é que para concretizar as metas teremos de abrir mão de muitas coisas, então ai cabe particularmente a cada um pesar o que pode e vale a pena ser deixado de lado e sacrificado em prol das metas. Há dor e beleza em crescer, em se tornar homem, em ser gente! No amor, no trabalho, na vida pessoal e na puta que pariu, é assim meu irmão.
A in SATISFAÇÃO é uma merda! Precisamos gozar em tudo na vida, e gozar gemendo, grunhindo e gritando! Pena que nem sempre é possível, mas façamos sempre que o for.
Uma velha blogueira muita esperta escreveu certa vez (...) Quando a coisa não valer mais a pena, quando você deixar de acreditar, quando um treco te causar mais aporrinhação do que prazer, pegue suas tralhas e se mande. Mas não espere levar um pé na bunda pra ficar de mimimi depois, se arrependendo pelo que não fez.


A descoberta sobre o que nos dá SATISFAÇÃO é a parte mais difícil, primeiro porque teremos de viver diversas coisas, provar diversas coisas, experimentar diversas coisas e depois ainda tornar a nossa satisfação algo prático e acessível. Ai depois é só fazer de propósito e todo dia.
Só devemos tomar cuidado pra não deixar que a busca pela satisfação se transforme em frustração, afinal de contas por mais que não gostemos de admitir, temos limitações. Por exemplo, se queremos trabalhar menos temos de compreender que a grana vai ser mais curta, e isso tem um efeito cascata. Por isso não adianta querer ser marajá e usar um naikão no pé e andar de Lamburguine. Não dá pra acordar todos os dias as dez da manhã e ir passar o carnaval na Bahia no bloco da Ivete, ou tirar férias na Disney.
Mas também o que não vale a pena é trabalhar feriado, dia santo, doze horas por dia pensando em trinta dias de férias ao ano. Porra, isso é desumano, é ditatorial. Liberdade pra dentro da cabeça.

O que o camaleão quer dizer, ou melhor, o que eu quero me auto recomendar é que a vida é mais.
É mais que grana, mais que prestigio, mais que roupas novas, mais que luxo e ostentação. Sejamos muito mais do que tenhamos.

Pense nisso.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Identidade


       imagem: Google


Eu falhei comigo? Eu estou falhando?
Acho tão fácil agradar os outros, mas quando assunto é comigo mesmo ai as coisas se complicam.
É difícil entender quem somos e o que queremos.
Eu quase sempre tento medir os impactos que posso causar aos outros, entre dores e alegrias. Mas quando é comigo mesmo tenho sempre a confiança eterna de que não importa o que for, eu aguento, eu suporto!
Aceito a minha dor, afinal ela é minha responsabilidade. O estranho é que a respeito da minha, eu pouco faço alguma coisa. Eu suporto, até que ela canse e vá deitar mesmo sabendo que a qualquer hora ela vai acordar e  outra vez terei de suporta-la, ouvi-la e tolera-la.


Eu tô querendo falar de identidade sabe? de sermos quem somos?
As vezes ser outro cansa, principalmente quando vemos tanta beleza em sermos nós mesmos.
A máscara ta pesada, a identidade secreta ta cansando, e o pior  é que eu nem sou super herói, não tenho super poderes e nem varinha de condão.
Eu não tenho esconderijo secreto, então pra onde posso correr quando as coisas apertarem por aqui no lado esquerdo de min, perto do peito, sabe?
Hein, me diz?



terça-feira, 24 de setembro de 2013

Verdades...




A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.




                                                                                                           Vinícius de Moraes

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Simplesmente Nós




Era uma tarde absolutamente formidável em um pequeno, mas aconchegante chalé no campo. A fumaça saindo pela chaminé anunciava um fim de tarde chuvoso e o início de uma noite estrelada e fria com direito a pequenos flocos de gelo sobre a grama.
Sobre a mesa de madeira, na cozinha totalmente campestre e artesanal com fogão a lenha estava à caneca de café com diversos bolos e doces caseiros trazidos da pequena cidade onde o turismo e a gastronomia o tornavam sua maior fonte de renda.
A vida deles era incomparável com relação à agitação das grandes cidades podia-se ouvir o cantarolar dos pássaros, o agitar do vento sobre as arvores de folhas secas e nós ali sentados na sala sobre o tapete, recostados sobre a parede de madeira.
Eu digo: Muitas perguntas em mente!?
Eu mesmo respondo em meus pensamentos: Várias!
Mas dizer algo poderia estragar os olhares, os sorrisos, os gestos que descreviam aquele momento. Jamais!
Não, não era um encontro fútil, não era um casal em busca de aventura e não, não estávamos à busca total da felicidade, pois a felicidade encontrava-se ali no silencio.
O que era para ser só uma viagem se tornou um reencontro ao passado, passado este que nunca foi esquecido e que foi relembrado no momento em que me vi sentada na sala em frente à lareira. O aconchego se tornou naquele momento o nosso maior companheiro, naquela hora e sem dizer nenhuma palavra o abraço se tornou inevitável. O silêncio e a preguiça adentravam a noite e o egoísmo já não fazia mais parte de nós.
Ali mesmo aconchegados à frente da lareira dormimos sem que quaisquer outros pensamentos pudessem fazer daquele momento algo fútil e carnal. Minhas mãos percorreram seus braços e por fim chegaram a suas mãos quentes.
A vida naquele momento parecia ter estacionada, fiquei ali deitada por mais alguns instantes me perguntando se merecia estar ali apesar de todos os devaneios que a vida insistiu em trazer a memória.
Olhei para o lado e admirei por alguns instantes seu sono leve, beijei levemente seu pescoço e levantei devagar para não o despertar. Fui até a cozinha preparei uma grande xícara de chocolate quente e sentei-me no balanço que havia na varanda, com uma manta e apreciei o soar do vento sobre meus ouvidos...
Ao longe se podiam observar outros chalés cobertos por folhas secas ao redor da entrada fazendo daquela paisagem campestre algo encantador aos meus olhos!
Voltei à cozinha e me recostei sobre a pia, e admirada com a paisagem fotografada em meu pensamento, deixei que fluíssem novas ideias, senti passar sobre minha cintura mãos quentes e braços totalmente acolhedores, nós ali nos contentando com a paz que ressoava sobre o chalé vazio. O silêncio adentrava cada cômodo, contudo nos sentíamos tão em paz, tão completos que nada mais fazia falta.
Estar ali nunca foi tão especial para nós, abraçados na cozinha, olhares tímidos, conversas ao ouvido, risadas singelas e um beijo para consumar a noite, tudo isto sou eu, você...somos simplesmente nós.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Físico ou Abstrato - parte 7.



Ventava muito aquela a tarde e ao longe o sol se preparava para beijar o mar. Eu estava de pé no pier as margens do rio Órion. O estranho homem que me dera um livro maldito de presente e me salvara do abismo da morte marcou comigo as cinco da tarde, disse que precisávamos esclarecer algumas coisas e começar os "trabalhos de reconstrução". Faltavam trés minutos para as cinco horas!
Naquele curto espaço de tempo tentei organizar os últimos dias, queria entender como o estranho noturno, como me acostumara a chama-lo, sábia tanto sobre minha vida. O  livro, quem o tinha escrito? Pudera alguém ter me observado, cada passo dado nos últimos dez anos? Mas qual seria o propósito? Vingança? Talvez meu marido tivesse descoberto tudo e o tal estranho fosse um detetive particular, contratado por ele, parte de uma vingança bem elaborada.
- Pare de pensar besteiras Marcela! - Irrompeu uma voz atrás de mim. Era ele!
- Seu marido pensa que você está morta. Assim como suas filhas e toda sua família também acreditam. Afinal de contas esse foi o plano não? Foi assim que você decidiu fazer, e foi isso o que você fez. Você  está morta para todos eles Marcela!
 Naquele instante o lado esquerdo do meu peito palpitava e o ar até então abundante se extinguiu. O estranho noturno estava bem atrás de mim e sábia perfeitamente o que eu tinha pensado milésimos atrás. Pensado! Eu não disse uma palavra se quer, apenas pensei no mais profundo e intrínseco lugar de minha consciência. Por fim, percebi o quanto as palavras do estranho me apunhalaram. Morta! Eu estava morta. Uma morte que eu mesma havia forjado.

- Vamos Marcela, deixe logo de pensar em detalhes tão superficiais. - o homem deu alguns passos ficando lado a lado comigo, mas não olhou para mim, seus olhos e sua atenção estavam voltados para o mar. - Serei breve e claro quanto ao que tem que ser feito.
- Recuperei a consciência e comecei a falar.
- Mas como assim será breve? Preciso de respostas! Quem é você por Deus? O que quer de mim? E como sabe no que estou pensando? Por favor me responda. Deixe de me perturbar! - Na ultima frase eu já tinha perdido o medo e comecei a gritar, mas fui interrompida, ele não tolerou minha petulância.

Chega! - O homem estranho dos últimos dias estava alterado, seus olhos saltavam das órbitas e as veias do seu pescoço estava pulsantes, inchadas e vermelhas e isso  me assustou. Respirei fundo, contive o choro e me calei.
- Marcela, - O estranho tinha voltado instantaneamente a sua forma original. - Eu não lhe devo satisfação alguma, é você quem deve se justificar diante daqueles que você machucou. O que tenho a propor é uma chance, um ultimo dever que você tem para com a sua família. Por a caso sabe como eles estão? Sabe afinal qual rumo tomaram suas filhas? Seu marido?
Não Marcela, você não sabe! E tudo isso por que? Porque você simplesmente os abandonou.

Aquela homem trouxe de volta uma verdade irrefutável. Eu abandonei minha família sim. Mas se continuei distante foi para não machuca-los ainda mais, talvez distante eu pudesse dar a eles uma segunda chance, uma outra vida, sem a minha interferência.
Mas naquele momento apenas uma coisa preenchia a minha total atenção. Eu tinha um ultimo dever para com eles, uma ultima chance, mas qual?
Me virei de impeto para o estranho ao meu lado, ele também tirou os olhos do mar e me olhou na alma, seu olhar me causava medo e me repreendia a qualquer minimo movimento que fosse, mas tive força e busquei coragem para perguntar.

- Qual? Qual é o meu ultimo dever?



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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Amor e Sexo







O meu amor by Chico Buarque on Grooveshark
Ele quer transar sim! Mas quer também fazer gozar a alma, transbordar de prazer os olhos, sentir o cheiro de corpo nu e gemer de contentamento do corpo e da alma.
Ele quer pela manhã, sentir vontade de mais, mais e todo dia. Ele quer ao fim, depois do ápice, não aquela sensação de esgotamento, ele quer depois do ápice outro ápice.
 Ele quer se afogar no amor,  mas não esse amorzinho moderno, contemporâneo e chulo. Ele quer aquele amor... aquele em preto e branco, em tardes de sol vermelho alaranjado, de cabelos ao vento e camisas de flanela. Aquele amor de campos de trigo e passeios de bicicleta, amor de versos, de livro antigo e suco de laranja pela manhã em mesa redonda com pão de queijo.
Amor de verdade, sexo com vontade, mas sem maldade. Transa com amor e não só com desejo.
Ele quer transar sim! Mas ele também quer Amar!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Antes de dormir










Eu gosto do cheiro da noite, tem um geladinho aconchegante e cheio de possibilidades. As estrelas são minhas fieis confidentes, eu lhes contaria qualquer coisa, assim bem como tenho lhes contado tudo.
Adoro a noite, assim como gosto também do mar.
Adoro viver, detesto sobreviver!








sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Amor


“Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente. Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. 
Para viver a dois, antes, é necessário ser um.”

— Fernando Pessoa. 



Como meros mortais que somos estamos fadados a sempre venerar o desconhecido e a ter sede pelo que é singular e escasso. A busca pelo verdadeiro amor tende muitas vezes a se transformar em uma corrida sanguinária pelo outro, que na verdade não passa de uma busca por nós mesmos. Talvez seja por isso que tantos se frustam. Não vamos nunca encontrar outro como nós, e o máximo que pode acontecer é deixarmos passar anos e décadas em relacionamentos frustrados para no fim entendermos que o encontro é com nós mesmos e que a felicidade se resume em primeiro nos entendermos para depois nos aceitarmos. A presença de outra pessoa em nossa vida deve ser vista mais como uma forma de podermos compartilhar o que somos com outra pessoa e permitir que esta possa também se aventurar por nossos modos, preferências e gostos.
Desse modo podemos ver o papel do outro m nossas vidas como um complemento e não como algo primordialmente essencial. Amar outra pessoa portanto é o próximo passo a ser dado depois de amarmos a nós mesmos.


Fernando está certo ao dizer que "para viver a dois, antes, é necessário ser um.” Ninguém deve se sustentar em outra pessoa, o risco é muito alto e isso não é amor. É dependência!
Não podemos morrer em nós para vivermos em outro. Não há nada de plausível nisso, muito pelo contrário.
Embora eu esteja escrevendo tudo isso não sou nenhum exemplo a ser seguido, sou humano e também sinto! E Fernando Pessoa me fez pensar tanto nisso nas ultimas semanas que preciso falar a respeito, dizer que não posso passar a vida toda nessa pertubação, na cobrança cotidiana e desesperada por colocar alguém em minha vida.

Amar requer tempo e isso está sendo perdido, queremos tudo para ontem e queremos tudo perfeito. A modernidade tecnológica deu a nós seres humanos a ideia imbecil de que podemos criar tudo de acordo com nossas necessidades, inclusive o amor. E assim que vemos o amor hoje em dia, não mais como um acontecimento, mas como uma solução, um objeto indispensável para curar nossas dores, nossos vícios e todas as nossas lacunas sociais e pessoais. 
Amar hoje em dia é como  ir ao banheiro fazer número dois. Precisamos ir de qualquer jeito! Mas penso que antes de sairmos por ai cagando tudo e em qualquer lugar, talvez devemos ver antes o que temos comido no almoço e no jantar.
Tem uma frase que diz "entender para atender", então talvez devêssemos " nos conhecer para nos amar" e só assim quem sabe AMAR também outras pessoas.

O amor requer compreensão e não desespero.






sexta-feira, 26 de julho de 2013

O Papa é Pop!




Há um excesso de popularidade no homem de roupa branca.
Tem ali um sorriso eterno, um populismo perigoso.
Vamos todo mundo esquecer o passado e repeti-lo sempre e sempre.
Deveríamos criminalizar o arrebatamento de pessoas desprovidas de senso critico, mas como bem sabemos essa é a principal engrenagem da humanidade, a soberania dos que sabem sobre aqueles que não foram ensinados a pensar. Triste mundo.
Tenhamos cuidado!

Open your mind, Again!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

E se nossa unica causa fosse o bem comum?




Eu tô aqui nesse exato momento pensando, porra, eu passei o domingo todo pensando nisso. Pensando em como me tornar mais útil para os outros e menos bajulador de mim mesmo. Como contribuir para minimizar as dores e os problemas dos outros e  inflar menos um pouco o meu próprio ego.
Me sinto tão mesquinho por gastar tantas horas do meu dia na degradante tarefa de construir uma teia de mentiras bobinhas e invencionisses de amor verdadeiro.
Não querendo já sair aqui em defesa própria, mas a verdade é que sou produto do meio em que vivo. Porem o texto é um manifesto exatamente contra isso. Sim Arlan, você é produto do meio em que vive, mas tem por sorte a capacidade de olhar as coisas através da copa das arvores e não somente por dentro da floresta.  Aqui de cima é tudo mais claro e objetivo, porém, é bastante solitário. Este é o preço que se apaga, afinal.
O  que quero dizer é que nossas vidas se resumem na comtenplação de nós mesmos e isso é tão patético! Tão desencorajador e broxante! É como uma transa mal sucedida e sem porra no final. Ahh merda, broxei.
É uma redoma infindável de paparicos, amor daqui, roupa nova dali, presentinho, festinha, fotinho, beijinho, almoço, cinema, sexo e mimi, mimi e mimi.

Deuses, dêem-me  forças para abdicar de tudo que é materialista, fútil e degradante.
Quero pensar não mais em mim o dia todo e nem na ausência daquilo que não tenho e na possível solução que os outros podem ser para os MEUS problemas.
Quero nunca mais ter de pensar na falta que você que eu nunca tive me faz.
Lindo é se realizar através das realizações do outro e ver que a nossa ajuda e o bem estar que proporcionamos  é na verdade convertido em paz e bem estar também para nós mesmos. Eis  aqui um exemplo simples de se conseguir harmonia, equilíbrio, igualdade e paz.
Resta-me então buscar meios e formas de praticar o desapego pessoal e esquecer ao menos aos domingos que eu não sou o centro do universo.
E finalmente, eu declaro guerra a tudo que diminui o ser-humano e convido a todos a pensar em como seria o mundo se nossa unica causa fosse o bem comum.




Que tenhamos força, mas que também tenhamos ternura!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

DogVille





Ao assistir DogVille, do diretor Lars Von Trier, entramos em profunda análise do gênero humano e questionamos se não teríamos feito o mesmo que aquelas pessoas. A pobreza extrema, a fome e a ausência de educação não podem justificar atos de tamanha magnitude, pois penso que injustiças são cometidas dentro dos arranhas céus na Paulista tanto quanto são cometidas na favela logo ali perto. Todo ser humano tem dentro de si uma parcela de humanidade, não é piedade, é HUMANIDADE! Somos versados em poder nos imaginar no lugar do outro, e creio sempre que este pensamento é a melhor maneira de analisar os atos e as consequências humanas. Embora mesmo assim, nem sempre poderemos explicar as atrocidades causadas por nossos pares.
Se até mesmo um animal é condenado por seus atos, o que fazer quando nós, seres humanos, ultrapassarmos a linha do certo e coerente?

Aqui cabe citar a minha hipocrisia. Sou contra a diminuição por exemplo da maioridade penal, mas fica então a pergunta. Como punir nossos jovens que cometem atrocidades? Eu não sei!
Ponho então aqui, talvez como uma suposta justificativa, as palavras que li outro dia em um blog. - hoje nossos adolescentes, amanhã nossas crianças e daqui a pouco nossos bebes?
A violência e o descanso humano tem inúmeras vertentes, podem infelizmente nascer e crescer em diversos lugares e camadas da sociedade, mas creio, talvez arrogantemente, que a educação assim como extingue a pobreza seja ela o único e verdadeiramente eficiente caminho para uma sociedade mais humanizada.
Que aos nossos governantes fique o recado. Prisões, e principalmente prisões brasileiras não reabilitam jovens infratores, muito pelo contrário, são verdadeiras industrias do mal.
DogVille é um lembrete ao qual toda sociedade deve estar sempre atenta para se precaver e não comete-lo.






sábado, 22 de junho de 2013

Eu penso, tú pensas, eles pensam também!

Existe um perigo, logo ali na avenida, ou melhor, nas avenidas.
Que o povo esteja atento, pois até mesmo na revolução é preciso ordem, é indispensável saber e lembrar sempre porque lutamos e para que lutamos.
Não deixemos que sejamos apenas instrumento DELES E PARA ELES.
Eu apoio causas que tenham NOMES, eu canto HINOS que defendam MEUS ideais.
Não sejamos apenas a massa analfabeta que eles quiseram sempre criar e manter, sejamos mais espertos, tenhamos sempre um passo a frente.
Não se deixem esquecer, semana passada todos falavam em violência e hoje todos dizem defender o futuro da nação.
No meio da bagunça todas as causas parecem justas, na rua todos os caminhos parecem certos e na multidão todos os gritos parecem ser a voz do povo.

Open your mind!!!

terça-feira, 18 de junho de 2013

BRASIL!!!




A nossa geração esperou por muito tempo, com um grito abafado, com verdades presas na garganta. Mas hoje cantamos um novo Brasil.  A dita "geração perdida" começa a lutar, gritar e caminhar. Eu fui para as ruas, por sorte estou de folga hoje e me senti no dever de ir até lá e gritar com a minha gente por causas que são nossas. A experiência de caminhar na paulista em um só grito, em uma só voz é indescritível. Eu não vi violência, não vi depredação, vi o povo gritando e gritei junto, que ta na hora do circo cair, da palhaçada acabar!
Tenho ciência que estamos só no começo, mas o simples fato de saber que já não somos mas aquele pais que vive cego e aceita todas as injustiças calado já me deixa feliz e realizado de alguma forma.
Passei minha adolescência esperando por isso, e vejamos só, está acontecendo.

#EuFuiPraRua!


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Questões de morte.

Eu estava em casa conversando com minha mãe, ela acabara de voltar da rua; fora comer um pastel e ver uma tia minha. Voltou com noticias do mundo lá fora, sobre questões que por vezes nos escapam, ou tentamos evitar. Questões de morte, de enfermidades e coisas que não são felizes mas são humanas e chegarão cedo ou tarde para todos nós.

Ela me falou sobre um vizinho da minha tia que sofreu recentemente um derrame, e como consequência lhe foi roubada parte da memória fazendo com que o homem já não reconheça a família. Conversamos até chegarmos ao assunto que estava logo ali, nas entrelinhas, a morte!
Sempre que abordamos tal assunto minha mãe deixa claro seu medo e sua incredulidade a respeito da devastação que a morte pode causar e a forma arrogante e sem aviso prévio que ela, a senhora morte chega.

Como réplica eu lhe disse que ao meu ver, quando fazemos ao longo da vida aquilo que está ao nosso alcance para nos proporcionar felicidade e não deixamos fios soltos,  palavras por dizer e promessas a cumprir, não há porque temer a morte. Afinal, ela é consequência da vida e sua chegada é irrevogável, imprevisível e inadiável.
Mas então só agora percebo que não é tudo assim tão simples, afinal de contas, que ser humano aceitaria de bom grado a morte sabendo que deixará pra traz uma boa vida, cheia de realizações e pessoas maravilhosas? Acho que somente aqueles que viveram com plenitude sua estadia aqui na terra e conseguiram entender que a a morte, assim como a vida, é mais uma das misteriosas etapas dessa enigmática caminhada.
Penso talvez, que morrer seja fácil. Mas ver alguém que amamos morrer, isso sim, é difícil.
Por fim eu dissipei a conversa macabra sobre a  morte e completei dizendo a minha mãe que prefiro por um bom tempo falar sobre vida, e só sobre ela.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A vida dele (S).



era um sobradinho inglês, a cozinha ficava no andar superior e da janela da pia dava para ver a cidade toda, cheia de suas casinhas grudadas umas nas outras, suas praças e sua brisa fria de noite invernal. Do lado de dentro da casa fios de fumaça emergiam da caneca enquanto o rapaz admirava o céu noturno timidamente pontilhado.
O rapaz era bicho noturno, tinha hábitos pós meia-noite e fazia sentinela cotidiana ali, na cozinha de seu apartamento modesto em um bairro do subúrbio.
Deixando a parte o lugar mágico no qual o rapaz morava, deve-se analisar melhor a causa de sua patrulha noturna pelo céu e pelas ruas da cidade.
Ferdinando se permitia a uma dose diária de  lembranças dos tempos em que toda aquela conjuntura da vida cotidiana era mais apreciada. Tempos que se projetam em seus olhos tal como um filme, só que real. Com direito a cheiro, a sabor, e a promessas de uma segunda parte nunca cumprida, nunca finalizada.
Como filosofo que é por formação, ele confronta sempre ali e sempre a noite suas dúvidas e devaneios a respeito do mundo. É naquele horizonte hora tão longe e interminável que ele lança suas perguntas, ele grita em pensamento e aguarda sem esperança suas respostas.
A morte e a vida, o valor de cada um e o seu papel neste mundo. Seus anseios, seus pecados. Sua credibilidade, bondade e crueldade. Seus limites! Ferdinando não enlouquece porque consegue ao fim ponderar, e aceita, como um jovem sensato que o é, que muitas coisas vão continuar sem resposta. A exemplo disso a violência, a intolerância, o desrespeito e o desamor. Ele questiona se estar trilhando o caminho certo. Pensa as vezes que possa ser egoísta, mas aceita esse egoismo porque se  for egoismo ou não, isso o faz bem.
Ferdinando julga e se intima a responder : - mereço tudo isso? Não sabe! Mas assim como aceita a ausência de respostas para suas perguntas, aceita também de bom grado o amor ofertado.
Ele percebeu quando a porta da sala foi aberta, mas preferiu fingir que não. Ao invés de perguntar quem era, Ferdinando acariciou suavemente com o polegar o anel posto em seu quarto dedo da mão esquerda.
Suas perguntas estavam findas. Não importavam mais!
 Para perguntas difíceis, talvez o tempo. Para o amor ofertado, o agora, o hoje!
As mãos  de Marcelo percorreram a cintura de Ferdinando puxando-o para um abraço, e  sua boca pousou no rosto dele enquanto seus lábios diziam boa noite.



segunda-feira, 22 de abril de 2013

Percepções.

Uma das coisas que mais admiro em mim mesmo são os meus conflitos pessoais. Algo como ter a minha direita um anjo e na esquerda um diabinho. Ambos me aconselhando ou pré julgado minhas escolhas.
Hoje, certamente o diabinho bateu em retirada ao ver cair por terra o argumento errôneo sobre eu não ter princípios ou não considera-los a cada escolha feita.
Peço perdão pela falta  de modéstia, mas é uma vitória pessoal. Acho fantástico o fato de promover em mim mesmo uma dialética, um confronto de ideias e argumentos, por vezes tão opostos.
Eu ri de mim, é isso. Sorri de contentamento por tomar a decisão certa (ao meu ver) e ver que mesmo que tal decisão traga solidão, é uma solidão acompanhada. Espero que tenha sentido no que acabei de escrever.
Quando digo solidão acompanhada, me refiro ao fato de me abster de uma presença humana parcial, boa sim, mas nada alem disso. E ao invés de tal cia, eu prefiro viver intensamente, ainda que seja intensamente sozinho e acompanhado tão somente por meus valores e meu desejo de que sentimentos maiores e mais consistentes virão.
Sentimentos evoluem, eu sei! Mas alguns eu prefiro que sequem antes. Antes que venha a perda de tempo, de palavras e de oportunidades.

Eu posso está sendo egoísta e prepotente, mas estou sendo intuitivo também, e continuo seguindo minhas percepções. E como bem sabemos este é um caminho cheio de bifurcações e atalhos, sendo assim só me resta torcer para que eu tenha feito a escolha certa.

Boa noite!


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Cadê o extraordinário?





Cadê as chaves? E a portinha minuscula, onde fica?
Onde está Alice e seu coelho apressado? Lewis Carrol seu maldito, venha já aqui!
Eu havia inicialmente pensado em fogos de artificio, em trilha sonora ao fundo e talvez com o chão se desfazendo sob os meus pés, mas não! Nada disso aconteceu. Foi tudo naturalmente normal e bom, mas normal. Arh!
Tudo tem sido normal!
Porra eu sei que o céu não vai cair sobre nossas cabeças e também sei que bruxas não vão cruzar o céu da paulista em uma tarde qualquer de segunda feira. Mas sei lá, tudo está tão humanamente humano.
Isso me faz lembrar de "O jardim Secreto" quando o menino Colin diz que a magia está em nós e por toda parte e que ela se manifesta a toda instante e nós é que não vemos ou não sabemos encherga-la direito.
É nas pequenas coisas então, é isso? É nas pequenas coisas que podemos encontrar magia?  Ou é no fim do arco iris? Ah meu deus, me desculpe! No fim do arco iris tem um pote de ouro seu bobo, lembra? Duendes e tudo o mais?
Não, eu já não me recordo de mais nada.


Uma bexiga gigante e cheia d'água explode e eu posso saltitar de uma bolha a outra em velocidade extraordinária e sem me molhar. Até que consigo impulso suficiente e me lanço sozinho no espaço vazio. Me jogo na vácuo e flutuo.
Eu desenho um blazer azul e me visto, desenho também um guarda chuva e me agarro a ele, descemos em linha reta e aterrissamos no mar de cor alaranjada, ando tranquilamente sobre as águas e na margem um pouco mais a frente eu encontro um elefante falante e tagarela que estende sua tromba e me ajuda a chegar em terra firme.
-Olá moço bonito de além mar, Eu sou Eduardo, e vou lhe ajudar! Venha, vamos andar, tenho muito que lhe mostrar. Corra, venha logo, não posso esperar, o almoço vai esfriar, corra menino bonito de além mar, vamos lá!

Eduardo Eduardo, tagarela que não para de falar.
Eduardo o elefante falante de terra firme e de depois do mar.

Tibum!
Foi-se Eduardo, secou o mar e o menino d' água agora é de terra.
Olha lá, ele corre com o vento e como o vento.
Eduardo, levado! Eduardo, bobinho!
Eduardo é só um menino desfrutando das maravilhas que é imaginar.
Deixem ele sonhar, a vida é tão curta pra nos perdemos apenas na fria realidade.
Ele vai aprender cedo ou tarde a mesclar a vida com sonhos e realidade, mas está noite ele só quer sonhar.

Não é frustração, ou talvez seja. O fato é que eu esperava um pouco mais e me sinto impotente ao me dar conta de que o extraordinário nem sempre vai depender de mim, ou só de mim.
O extraordinário não é somente um céu cheio de estrelas em uma ilha em uma plena noite de verão. O extraordinário é talvez algo mais simples do que possamos pensar, e tenho tido esta convicção mais e mais nos últimos dias. O problema é que ainda não sei como e de que forma tornar o que faço e o que vivo em algo extraordinário aos meus olhos.
Mágico!






quinta-feira, 14 de março de 2013

O número Cem e Ferdinando#2

Cem! Este é número da postagem de hoje. E é  importante dizer que o camaleão não escreve por meta, ou por números. O camaleão escreve por necessidade. Eis aqui o meu remédio, o meu cantinho secreto.
 E como pede a tradição humana, vamos comemorar!

Com vocês,

 Ferdinando#2

 Duas cadeiras, uma mesa pratos e talheres, uma garrafa e dois rapazes. Na cozinha de um apartamento qualquer da zona leste, norte ou sul. Em São Paulo, no Rio ou no Ceará.
Na garrafa vinho, nos pratos massa e lá fora o tempo, aqui dentro nada! Nada além de dois rapazes.
Um deles estende a mão e atravessa a mesa, do outro lado o segundo rapaz observa o caminhar macio de dedos vindos em sua direção. É um pedido, ao qual ele atende. E sendo assim também  pousa sua mão sobre a mesa e aguarda ansioso o toque do outro. As mãos enfim se encontram e seus dedos se acariciam, se entrelaçam, se prendem uns aos outros e se fecham num apertar que é forte mas é suave e bom.

- Quer dançar? -  pergunta Marcelo.
- Sim - responde Ferdinando.

O apartamento é pequeno mas tem uma sala modesta, arrasta-se um sofá  aqui e uma estante ali e pronto. Temos uma pista, dois garotos e uma vitrola. Ah, e um disco de vinil também.

- Marcelo?
- Diga.
- Eu não sei dançar!
- Coloca tuas mãos nos meus ombros e me segue, ta bom?
- Tudo bem então.

Na cozinha uma gota d'água sai da torneira e cai na pia, na sala a vitrola começa a tocar. O vento sopra lá fora, no Rio e no Ceará. Entra pela varanda balançando os cabelos e causando arrepios por baixo das camisetas. Os braços de Ferdinando se enroscam no pescoço de Marcelo e ele o abraça.  Eles se abraçam!
Foi então esta, a segunda dança.



                                                             
                                                                                      ( Yann Tiersen - Summer 78)


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Admirável Mundo Novo - Final.


(imagem: filme - À Beira do Abismo)


Eu sou apenas um garoto de dezesseis anos e fui deixado em um orfanato aos cinco meses de idade. A mulher que me gerou decidiu que não gostou da cor do meu cabelo e nem do tom excessivamente branco de minha pele. Pelas leis vigente no atual século o seres nascidos por encomenda, como somos chamados podem se assim decidir seu gerador e/ou tutor ser deixado em um orfanato. Ao atingirmos maioridade biológica somos separados de acordo com nossas habilidades e então somos levados a frente de campos de batalha em guerras que não são nossas ou somos levados a colonias de além terra. Resumindo, somos levados para fora como o lixo que deve aguardar na rua o caminhão passar na manhã seguinte.
Eu não conheci a mulher que me gerou, e como bem pode ser lido me nego a chama-la por mãe. O que sei a seu respeito é que sou fruto de uma escolha mau feita e está escolha não passou de um tom de cor em um caixinha qualquer escolhida em alguns minutos dentro uma loja de departamentos. Meu pai é anônimo, me disseram que provavelmente é um garoto qualquer de vinte e poucos anos que ao sonhar com riqueza e conforto decidiu vender seu esperma a preço de combustível nuclear. Acrescentaram ainda que a julgar pelo meu tipo, minha aparente inteligência, forma fisíca e saúde ele deveria ser um cara inteligente. Enfim, sou um produto feito em escala industrial que acabou saindo com defeito e foi trocado. Substituído, assim fica melhor.
Eu tenho lido muito nos últimos anos para tentar entender ou assimilar como foi que a  humanidade chegou até aqui. Como os seres humanos se tornaram  tão frios e calculistas em escala global. O que descobri é que faço parte de uma redoma na qual não sou o único como havia pensando. A história mostra que desde os primórdios a civilização humana vem marginalizando uns e ascendendo outros. O que mudou agora, trés milênios depois é que o ser humano controla toda a cadeia de produção dos seres marginalizados. Não é como os negros que nasciam por toda a parte e foram domesticados feito bicho, ou como talvez os traficantes marginalizados e esquecidos de outrora. Ou até como as minorias que se tornaram minorias pelo seu livre pensar, por suas ideias libertadoras e revolucionárias. Hoje, no futuro presente, posso dizer que não sou fruto de um processo natural de criação. Eu não vim parar neste mundo porque assim desejou a natureza ou dois seres humanos, não. Sou fruto de combinações perfeitas e testes laboratoriais. Sou produto de uma industria. Fui posto em uma prateleira e me deram um preço. Fui comprado! rejeitado! E agora condenado a viver para outros, travar suas guerras; limpar sua sujeira e segurar nos meus ombros a estrutura pesada e devastadora que eles chamam de sistema. O bicho homem caminhou por trés milênios para terminar pior do que começou. Hoje a humanidade não é humana, tão pouco posso chama-la de bichos. Seria uma afronta. E é por isso que hoje cometo o único ato de rebeldia e liberdade ao qual posso me permitir.
 Hoje eu morro!


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Pense e logo exista.


(imagem da série " Tudo o que é sólido pode derreter")


Eu sei e sempre soube que se não houvesse você quase nada faria sentido.
Vejo hoje um amontoado de planos. Eu não desisti deles e nem vou, mas me pergunto quase que todos os dias o que farei quando realiza-los, enfim  estarei só?

Tento me apoiar na ideia de que outros sonhos virão e tudo continuará fazendo sentido.
Penso até que ao longo do caminho você vai aparecer, como parte da caminhada e não como prêmio por percorre-la. Sei lá, é difícil pensar a respeito dessas coisas, eu sempre fico triste e você ainda não chegou para segurar minha mão.

Nessa longa espera você acabou ficando banalizado, virou chacota. És hoje piada de gente grande.
Estou começando a acreditar que você não passa de bobagem e que eu fui o escolhido para te seguir e acreditar em sua existência tal como um alienado seguidor de um deus pagão.

Dizem que tudo é uma questão de acreditar e sendo assim acho que de fato você está deixando de existir, porque eu estou deixando de acreditar em você. Na sua existência!

Tenho medo, porque sempre pensei que de tudo que há neste mundo o mais sólido fosse você.
Me entristeço só em pensar que posso realmente ter vivido os últimos anos dentro de um pais das maravilhas e vejo agora que o pais de fato existe e é até grande demais só para mim. Mas eis que as maravilhas se foram, ou jamais estiveram aqui.

Tudo é sólido e pode derreter. Mas e você, pode? Pode mesmo não existir?
Mas eu então pergunto, ao vento. Posso pensar e querer o que não existe?
Penso logo existo, não é assim que se diz?
Então pense, por favor pense. Pense logo e exista para mim...

Amor!


domingo, 17 de fevereiro de 2013

A informação que não procede.



                                                          ( imagem - google)


A mídia brasileira só anda na moda, cheia de tendências e sendo assim sempre que aparece algo novo larga-se no fundo do armário o antigo. As tendências da vez são carnaval e Papa, mas e Santa Maria, como tem passado?


Todo rebanho precisa ter um pastor (precisa?) um guia, ou como queiram chamar.
E cá em nosso pais o pastor com maior número de ovelhas ou o guia com mais turistas é a nossa rica, bonita e devastadora mídia!

A dama brasileira do poder nos diz o que beber, vestir, aonde ir e com quem está. Ela aconselha e hora nos força  (por falta de opção) a assistir o que nos for imposto. Mídia, mídia, mídia. Midiática, imediata!

A  mídia é uma grande agência de moda, e como tal pesquisa, cria, corta, costura e cola a seu bel prazer (quase sempre). E como regra do oficio é necessário sempre o novo, e aqui falamos de tendências. Trocadas em velocidade quântica e introduzidas forçadamente na sociedade.
E as tendências antigas, o que é feito delas? São  postas  no fundo do armário, deixadas ali, jogadas. Talvez em um momento oportuno elas voltem.
 O que se quer de fato dizer aqui, é que os nossos jornais, nossas rádios, canais de TV, revistas e afins não nos mantém informados, não prestam serviço, não fazem a informação e o saber circular, não! Nossos canais de comunicação trabalham para si, não prestam serviço social algum a não ser o serviço gratuito e amplo de alienação cotidiana, com direito a horário marcado e platéia cheia.



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Mentes Abertas


(imagem - google)                                                                         
                     

O "convidados" estava um pouco esquecido, mas o camaleão cuidou disso e hoje trás de volta a primeira da lista, aquela que estreou esse cantinho do blog. Hoje ela vem falar de revolução feminista, oxigenação cerebral e amor próprio.  Apreciem....


Eu poderia estar falando de amor, auto estima feminina, relacionamentos bem ou mau sucedidos, poderia estar até falando de homens como todas as mulheres fazem quando estão em uma roda de amigas ou como chamam os homens: “Clube da luluzinha”!
Poderia queimar sutiã em praça pública e até mesmo fazer um movimento feminista, mas, seria muito clichê escrever coisas que todos dizem por ai como forma de manter a massa que somos hoje, a massa que repete e retribui tudo aquilo que as mídias impõem sobre uma sociedade que se mantém acuada com suas mentes fechadas, por pequenas bobagens que nos tornam cada vez mais infantilizados, mesquinhos e com falta de oxigenação cerebral.
Vemos hoje uma sociedade estática onde “Peito”, “Bunda” e “Sexo” são palavras naturais, corriqueiras e normais. Sinto que cada vez mais as pessoas se tornam escravas da beleza achando que tudo isso é tendência.
Famílias sentam no sofá hoje não mais para conversar e sim para assistir “Big Brother Brasil” de sabe-se lá de qual edição ou até mesmo “Mulheres Ricas” ou pior “A Fazenda” que não acrescentam em nada, onde só enfatizam e colocam na mente de cada brasileiro: “Somos a massa única que persegue sempre a mesma coisa todo o ano”.
Ou o que dizer de algumas mulheres (que não são todas logicamente), mas uma boa parte que só falam da mesma coisa...todo dia a mesma coisa HOMENS!
Não que falar de homens seja proibido (JAMAIS!), sim queremos homens e não crianças, queremos ser beijadas, abraçadas, acariciadas, queremos atenção, um pouco de chateação, brigas, birras, porque se tudo for conto de fadas estraga, porém existem tantas outras coisas que podemos colocar como pauta em nosso dia como arte,  música, política; ter momentos prazerosos sem em nenhum momento falar do mesmo assunto.
Homens desejam mulheres decididas e perfeitamente convictas do que realmente querem e não mulheres com falta de amor próprio, que para se sentirem bem tem que ouvir que está linda, um milhão de vezes...isso é chamada de baixa estima nos dias atuais. Para estas mulheres eu digo: “VALORIZEM-SE”.
Abrace as oportunidades, dedique-se, empenhe-se ao máximo. Dê valor a sua cultura e não a cultura de outrem, seja você mesmo não queira estar no lugar do outro, pois nem sempre o lugar do outro cabe a você. Sorria, dance, viva e comemore mesmo que tenha sido algo pequeno, pois as pequenas coisas nos fazem grandes no futuro.

POEME-SE
LEMINSKI-SE
E QUE O MUNDO QUINTANE-SE
MUSIQUE-SE
BUARQUE-SE
LENINE-SE
E QUE O MUNDO
CAETANE-SE
Lembre-se que a mudança nunca vem dos outros, fique sempre alerta, mantenha sua mente aberta!

                                                                                escrito e adaptado por: Nathana Balbino Batista

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O frio e a chuva, o inverno.


O frio e a chuva, o inverno. Eles me fazem ficar assim...
Passo um semestre inteiro sem pensar a respeito. Faço cálculos, durmo, tomo banho, como e me visto.
A rotina me consome e eu a deixo fazer de mim isso que sou.
As vezes quando acordo pela manhã, se o sol está lá o banho é gelado, ou não. O fato é que se o sol estiver lá eu faço música, danço e esbanjo vontade de viver, contentamento em estar vivo.
Mas eu sei, como já disse antes, que vez ou outra, trés ou quatro por ano, eu fico assim.

O frio e a chuva, o inverno. Eles são preságios do que estar por vir. São besouros carteiros. Meninos de recado.
Tenho uma profecia. Nova. Feita por mim!
De que em um belo dia isso vai chegar ao fim!
Talvez um copo d'água ponha goela abaixo isso que me engasga, me retém.

O frio e a chuva, o inverno. Gosto tanto dessa combinação perfeita acompanhada de casa, sopa, café e chocolate quente. Gente, pra querer bem. Cabelos, pra deslizar os dedos e fazer cafuné. Corpo, pra cheirar, sentir, tocar e penetrar. Sorriso, pra ver e se deixar contagiar.
Você, Pra esperar aparecer, torcer! Você! pra amar.

O frio, a chuva, o inverno. Nós dois!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Admirável Mundo Novo - parte 2



Joseph Gordon-Levitt em Looper - 2012


 - Qual é o seu trabalho Petrick?
 - O meu trabalho? Hum, deixe-me ver....
 - É difícil defini-lo. - O meu trabalho é...o  meu trabalho é criar seres humanos. Sob medida!
 - Não não, desculpe-me. Na verdade o meu trabalho é fornecer matéria prima para a... digamos "fabricação",  de seres humanos sob medida. É isso, agora esta correto. rs

Tudo começou com um anúncio visto em um outdoor qualquer a caminho do colégio.
No vídeo, havia uma longa avenida  suspensa no ar, sobre ela pairava uma nuvem de pequenos pedaços de alguma matéria orgânica, aos poucos a nuvem tomava forma, até que um homem surgiu da nuvem. Alto, bem trajado, sério e elegante. Ele caminhava como se tivesse coisas importantes a fazer, nesse instante o vídeo mostrava uma centena de crianças caminhando atrás do homem, elas também estavam bem vestidas, e seus olhos pareciam focados no horizonte e caminhavam guiadas por seu mestre. Ao fim do vídeo, uma mensagem:

"Venha fazer o futuro"
"Adão Corp. Mais que pessoas, perfeições."

O garoto então com dezessete anos ficara encantado, aquilo era para ele como querer fazer parte de um time de futebol, ou ser do corpo de bombeiros, ou talvez um médico. Era incrível! Ele se empenhou dia após dia afim de fazer os testes admissionais assim que tivesse  maioridade biológica. 

Ao longo dos meses ele estudou o quanto pode. Química, física, álgebra, idiomas, história natural, tudo.  A empresa era muito exigente. Era necessário altos índices de QI, boa forma física, nenhuma ocorrência genealógica  de doenças crônicas e se encaixar nos padrões de beleza  e uma análise severa do DNA. O rapaz foi admitido aos vinte e um anos em seu primeiro teste. Começaria em um mês.

PRIMEIRO DIA!

A cabeceira da cama o relógio despertou pontualmente as sete horas. O homem levantou tomou banho e vestiu seu  melhor terno.
 Gravata ajustada, cinto apertado. Cabelo penteado. Um toque e o táxi chegaria em dez minutos. Café da manhã; suco de laranja, ovos e aveia. Trimmmm! O táxi chegou! Sete e quarenta e cinco.
- Bom dia Sr. Petrick. - Disse o computador de bordo. - O carro deslizou para o alto, não tinha rodas e parecia-se com uma capsula. Logo se juntara a linha reta de outras centenas de carros flutuantes que cortavam os edifícios de vidro e concreto da metrópole. Lá de dentro o homem observava aquele mundo louco, aquela artéria pulsante e robótica. - Estamos a há um minuto da Adão corp. Sr, Petrick - disse outra vez o computador. - por favor coloque sua mascara, vamos entrar na linha expressa. -Em menos de dez segundos o veiculo entrou em um túnel de luz azulada e uma vez lá dentro atingiu em menos de trés segundos uma velocidade absurda e desapareceu no vácuo.
- Chegamos Sr. Petrick! - A porta foi aberta e o homem desceu. A sua frente uma longa escadaria levava até o saguão principal da empresa. Patrick  subiu e foi até o guichê de informações  onde lhe encaminharam para o  77° andar. Ele obedeceu, tomou o elevador e foi ao local indicado. Um homem ligeiramente mais velho o recebeu e deu  a ele as boas vindas.
- Petrick, por favor me acompanhe. Vou lhe mostrar o nosso andar e a sua sala. Os dois homens seguiram em linha reta por um corredor largo com paredes brancas e quadros expostos a cada dois metros. Nas molduras havia sempre um homem cercado por duas ou trés crianças. Pareciam pais e filhos,  mesmo os homens não possuindo semblante algum de paternidade.  A certa altura o corredor era cortado por outro corredor, agora maior e com portas de vidro. O homem que recebera Petrick parou e lhe indicou a porta. - Veja Petrick, este é o departamento de asiáticos nível C. - Atrás da porta havia uma sala retangular com pequenas repartições que lembravam mictórios, em cada uma delas uma tela de computador com programações distintas, porém ambas com cenas de sexo. Em cada repartição havia um homem nu de olhos puxados e péle amarelada. Todos eles usavam fones de ouvido e um espécie de tubo estava conectado em seus pênis. -  Pareciam excitados. Alguns faziam caretas, outros gritavam. Ou pareciam gritar. - A sala possui isolamento acústico e é mcrofilmada. Somente o lado de cá pode ver o que se passa lá dentro. - Completou o anfitrião. - Vamos seguir em frente Petrick. - E assim eles continuaram corredor após corredor e em todos eles sempre a mesma coisa. Homens de diversas etnias separados por pequenos compartimentos com os pênis conectados e fones de ouvidos. Alguns ainda usavam óculos e mexiam a cabeçam e o corpo desordenadamente como se estivessem de fato transando. 
Ruivos, negros, asiáticos, brasileiros, ingleses, indígenas. Cada etnia, pais ou raça tinha seu próprio corredor. Ao final do grande corredor central as paredes mudavam de cor e passavam de brancas para marrom, e ao invés de de outros corredores agora existiam salas com portas de madeira e sinalizadas com nomes masculinos. Cada porta um nome. - Este é o corredor para homens super dotados Petrick. Não no sentido genital é claro. - o Anfitrião deixou escapar um rápido sorriso. - Neste corredor temos em cada uma dessas salas os homens que reúnem inteligência, beleza  saúde e força física. Aqui estão os diamantes da Adão Corp. - O homem deu uma pequena risada, olhou para Petrick e continuou. - deixe-me apresenta-lo a sua sala, venha. É no final do  corredor.
A ultima porta trazia centralizado em letras de metal o nome de Petrick. - Aqui estamos. Abra. - Petrick colocou sua mão esquerda sobre a porta  e esta se abriu. Os dois homens entram e ela tornou a fechar.
Lá dentro as paredes estavam frias, sem pintura. Havia apenas uma grande tela na parede ao fundo, um Sofá em couro grande e confortável e uma pequena máquina em formato de uma bola de futebol americano. - Bom Petrick, está é sua sala. Ainda não foi decorada, isso fica a sua escolha. Quero lembra- lo  que a sala dispõe de total privacidade, isolamento acústico e trava nas portas. O som e as imagens ficam a sua preferência. A primeira coleta do dia será feita em duas horas. Acho que é isso. Bom, só mais uma coisa. Em nosso banco de dados falta uma pequena informação... você é hétero?

 
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