quinta-feira, 14 de março de 2013

O número Cem e Ferdinando#2

Cem! Este é número da postagem de hoje. E é  importante dizer que o camaleão não escreve por meta, ou por números. O camaleão escreve por necessidade. Eis aqui o meu remédio, o meu cantinho secreto.
 E como pede a tradição humana, vamos comemorar!

Com vocês,

 Ferdinando#2

 Duas cadeiras, uma mesa pratos e talheres, uma garrafa e dois rapazes. Na cozinha de um apartamento qualquer da zona leste, norte ou sul. Em São Paulo, no Rio ou no Ceará.
Na garrafa vinho, nos pratos massa e lá fora o tempo, aqui dentro nada! Nada além de dois rapazes.
Um deles estende a mão e atravessa a mesa, do outro lado o segundo rapaz observa o caminhar macio de dedos vindos em sua direção. É um pedido, ao qual ele atende. E sendo assim também  pousa sua mão sobre a mesa e aguarda ansioso o toque do outro. As mãos enfim se encontram e seus dedos se acariciam, se entrelaçam, se prendem uns aos outros e se fecham num apertar que é forte mas é suave e bom.

- Quer dançar? -  pergunta Marcelo.
- Sim - responde Ferdinando.

O apartamento é pequeno mas tem uma sala modesta, arrasta-se um sofá  aqui e uma estante ali e pronto. Temos uma pista, dois garotos e uma vitrola. Ah, e um disco de vinil também.

- Marcelo?
- Diga.
- Eu não sei dançar!
- Coloca tuas mãos nos meus ombros e me segue, ta bom?
- Tudo bem então.

Na cozinha uma gota d'água sai da torneira e cai na pia, na sala a vitrola começa a tocar. O vento sopra lá fora, no Rio e no Ceará. Entra pela varanda balançando os cabelos e causando arrepios por baixo das camisetas. Os braços de Ferdinando se enroscam no pescoço de Marcelo e ele o abraça.  Eles se abraçam!
Foi então esta, a segunda dança.



                                                             
                                                                                      ( Yann Tiersen - Summer 78)


 
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