quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Cair e levantar, beijos acima da média, amigos, textos, sexo em inglês e tapas na cara = 2015 :)



Eu deveria escrever aqui em letras garrafais um grande obrigado por um ponto final e pronto.
Isso seria ao meu ver mais que suficiente,  ser grato e simples, direto e reto.
Mas vamos lá, eu escrevi tão pouco este ano que seria falta de educação deixar 2015 ir sem dizer algumas palavras.
Este ano eu conheci uma porção de gente nova, fiz novos amigos, mais que cinco, me despedi deles também, disse adeus, atravessei um oceano, conheci a terra da rainha, falei português de Portugal em Portugal. Fui a um pub e bebi a mesa com gente do mundo todo. Almocei pizza em Londres sentado a mesa com Turcos, franceses, e claro,  italianos.
Este ano troquei de emprego, de casa, voltei pra casa. Beije mais que a média somada de todos os anos que vivi (hahaha). Defendi meus pontos de vista e me ferrei por  isso, mas no fim das contas me dei melhor por faze-lo. Confiei em pessoas que  não devia ter confiado, fui imprudente e neguei minha responsabilidade, tudo isso pra entender agora que sim, sou responsável por tudo que faço e deixo que façam comigo, inclusive por ter chegado onde cheguei e vivido o que vivi. Aprendi a deixar ir e entendi que sim, há males que virão para o bem e só perceberemos isso quase sempre depois, mas tudo bem, o importante é percebamos isso . Essa parte pode ser posta aqui da seguinte forma: A vezes se você não se mexe, vem a vida e te chacoalha por inteiro e te dá dois tapas e graças a Deus que ela faz isso, amém!
Este ano eu ganhei um afilhado, fui padrinho de casamento e fiz 24. Estou feliz pelos dois primeiros e preocupado com o ultimo.
Este ano eu dei um puta beijo em uma esquina de baixo de uma noite estrelada, e mesmo que pareça desnecessário e talvez seja, escrevo isso aqui para não esquecer, porque foi bom e foi gostoso pra caralho. Ah, eu também transei em inglês, só  pra constar. ;) (kkkkkk)
Ai meus Deus, já ia me esquecendo, este ano eu também publiquei meu primeiro texto em revista e aprendi a preparar salmão com molho de maracujá e me senti  foda por isso.


Ahh, e  fui parado pela blits da federal  voltando de Foz, andei de barco, conheci Itaipu e as cataratas. Pisei rapidamente no Uruguai e voltei correndo. Me perdi a meia noite em Paris, perdi também meu avô paterno, ou melhor, não se pode perder o que não se tinha, então dizer que ele faleceu fica mais bem posto. (descanse em paz vô).

Pra 2016? Eu quero ir até onde nunca fui, falar com pessoas que ainda não conheço e ouvir seus achamentos sobre o mundo. Aprender, aprender mais e mais. Saúde e amor, muuuuito amor!



:)






domingo, 20 de dezembro de 2015

Para o mundo, com amor. / To the world, with love.

Brighton Railway, julho de 2015.

Estou na Inglaterra há quase um mês e está é a primeira vez que escrevo sobre a viagem. Em minha ultima semana, decidi passar a tarde de hoje em Londres e agora estou voltando para casa, em Brighton. Sei que soa estranho escrever "estou voltando para casa" mas é exatamente este o sentimento que tenho por essa pequena cidade da costa sul da Inglaterra. Aqui é  talvez o lugar perfeito, porque é interiorano mas também cosmopolita; o mundo inteiro vem pra cá estudar inglês. As ruas, lojas, restaurantes, todos estão sempre cheios de turcos, italianos, franceses, colombianos e coreanos. É uma loucura gostosa. E ainda temos a praia e o oceano azul claro e reluzente. Há também parques e bicicletas, muitas bicicletas, aqui é a terra delas.

Brighton é calma, convidativa e também pode ser barulhenta se você quiser que ela seja, basta ir no lugar certo.
Para não ser perfeito  farei uma critica: a comida! Confesso que vou odiar batatas por um longo tempo. Mil saudades do feijão com arroz da minha mãe. 
Até aqui minhas observações foram clichês; comida, saudade, lugares bonitos. Mas o que realmente me surpreendeu e vai me dilacerar em breve, quando eu voltar para minha casa de verdade, serão os amigos para os quais terei de dizer até logo, porque me recuso a dizer adeus, embora saiba que possa ser um até nunca mais. Este será o grande choque para mim. As culturas diferentes, costumes, comida, idioma. Nada disso supera a angustia de saber já de antemão que provavelmente nunca mais verei as pessoas com as quais convivi no ultimo mês. Sem ser dramático, mas sendo, isso é como uma morte anunciada.  Eu sei, os tempos são outros, as distâncias foram reduzidas ao computador do quarto e ao celular no bolso da calça, vai dar pra continuar se falando e possivelmente marcar um encontro daqui ha algum tempo, inclusive isso é uma promessa e quero honra-la.
Muitos dirão que estou sendo sensível demais, afinal foi apenas um mês. Talvez isso possa ser verdade, mas prefiro acreditar que não. Prefiro crer na beleza dos encontros, pensar que um dia eu estava no meu bairro, com amigos de longa data, primos que conheço desde o meu nascimento, e ainda ontem almocei com pessoas de diferentes lugares do planeta, cada uma com sua percepção do mundo, educadas de formas diferentes e que por alguma semelhança ou sei lá o que decidiram compartilhar um bocado do seu tempo comigo, com os outros. E com os passar dos dias os almoços se tornaram caminhadas, idas a praia, conversas e debates sobre os mais variados temas, mais almoços, festas, piqueniques, despedidas, mais almoços, passeios, bares e mais almoços. Isso é tão instigante, sou apaixonado por saber como o outro  o mundo, como os outros são influenciados e se comportam perante as mesmas coisas que eu exergo, e ainda mais, que coisas há do outro lado que eu ainda não vi, vivi, ouvi, senti ou comi? Milhares, milhões, talvez infinitas.
O mundo é uma criação extraordinária e descobri lo é fascinante.
Hoje me sinto agradecido e digo ao mundo com amor: obrigado por ser tão gigante e misturado.
Espero poder senti lo e desbrava lo ao máximo.


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Brighton Railway, July 2015.

I am in England for almost a month and this is the first time I write about the trip. In my last week, I decided to spend the afternoon in London and now I'm coming home in Brighton. I know it sounds strange writing "I'm coming home" but this is exactly the feeling I have for this small town south coast of England. Here it is perhaps the perfect place because it is small-town but cosmopolitan; the whole world come here to study English. The streets, shops, restaurants all are always full of Turkish, Italian, French, Colombian and Korean. It's a delicious madness. And we still have the beach and the clear and sparkling blue ocean. There are also parks and bicycle, many bikes, here is the land of them.
Brighton is calm, inviting and can also be noisy if you want it to be, just go in the right place.
Not to be perfect I will make a criticism: the food! I confess that I'm going to hate potatoes for a long time.
So far my observations were cliches; food, longing, beautiful places. But what really surprised me and will tear me soon when I get back to my real home will be friends for which I will have to say goodbye, because I refuse to say goodbye, although I know it can be an even never . This will be a shock for me. Different cultures, customs, food, language. None of this overcomes the anguish of never knowing already in advance that probably will see more people with whom I lived in the last month. Without being dramatic, but being, it is like a death foretold. I know, times have changed, the distances were reduced to the computer room and the cell phone in his pants pocket, will give to keep on talking and possibly arrange a meeting here for some time, even that is a promise and I want to honor it .
Many will say I'm being too sensitive, after all was only a month. Perhaps this may be true, but I prefer not to believe that. I prefer to believe in the beauty of the meetings, to think that one day I was in my neighborhood, with longtime friends, cousins ​​I know from my birth, and yesterday I had lunch with people from different places on the planet, each with their perception of the world , educated in different ways and for some semblance or whatever they decided to share a bit of your time on me with others. And with the passing of days lunches became walks, trips to the beach, conversations and debates on various topics, most lunches, parties, picnics, farewells, most lunches, trips, bars and most lunches. This is so exciting, I love to hear how others see the world as others are influenced and behave towards the same things I see, and further, that stuff's on the other side I have not seen, lived, heard, I felt or ate? Thousands, millions, perhaps endless.
The world is an extraordinary creation and discovered it is fascinating.
Today I feel grateful and say to the world with love: thank you for being so gigantic and mixed.

I hope can feel it and tames it to the fullest.





* I'm sorry for the bad translation, my English is not perfect and I had to resort largely to google translator.


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Digo que quero sentir o mundo mas quando sou posto ao vento ao invés de bater asas eu choro feito um menino resmungão com medo de cair.
Esse medo, esse vazio, essa maldita definição, quero me livrar disso. Eu sei, caminhar é melhor, porque sentar e pensar é envelhecer sem fazer nada. Pois então que eu caminhe e pense ao mesmo tempo.
Sempre que saio de férias eu volto muito introspectivo, matutando um monte de coisas; trabalho, faculdade, pessoas, o mundo e o universo, coisas sérias, coisas mundanas, e isso se prolonga por algumas semanas pelas quais vou me torturando a ponto de ficar com dor de cabeça e derramar  algumas lágrimas.
Não vou falar agora sobre minha ultima viagem, isso é papo pra outra noite, uma mais estrelada. Hoje quero deixar aqui minha ausência de fé, para então preencher-me de outros sentimentos, a começar  pela própria fé.
E a fé em questão não é apenas divina, porque sim, eu acredito em um Deus, talvez não de uma forma convencional, o Deus dos livros, do céu e inferno e templos e igrejas. O Deus que eu acredito é um cara com o qual converso todas as noites, durante o dia, em voz alta ou em pensamento. Nossa conversa não tem protocolo; começamos a conversar sem cerimônias porque é assim que funciona pra mim e é assim que me sinto bem e à vontade. E o mais importante: é assim que me sinto ouvido.
Mas a fé em questão é a que tenho sobre mim mesmo. A fé que tenho deixado ir ao chão.
Sinto me tal como um  menino que estava brincando e agora ouve sua mãe o chamar para ir a escola. É o seu primeiro dia de aula no primeiro ano letivo e ele está com medo, assustado e cheio de dúvidas. O menino quer ficar em casa, ver tv e brincar na terra do quintal. E por medo ele chora, mas chora sem saber que na escola tem amigos e tem coisas novas que ele vai gostar de aprender. Tem merenda com sabores e cheiros que ele nunca sentiu, e também tem terra pra correr e brincar.
Eu já fui esse menino e me lembro que mesmo com medo decidi ir a escola e lá eu descobri um mundo fantástico e lindo. Mas por algum motivo hoje eu sou este garoto novamente e estou confuso e com medo como da primeira vez. Parece que esqueci tudo que aprendi sobre a força, a coragem e a beleza de aprender coisas novas.
Essa semana eu pensei sobre definições. Sai do meu último emprego em janeiro e devido a uma viagem marcada muito antes eu não pude ir em busca de um novo logo de imediato e isso me fez ficar apenas com a faculdade como ocupação. No primeiro semestre do ano vivi da expectativa da viagem que estava por vir e da rotina de estudos, mas nos intervalos que eram constantes eu me questionava:

Meu nome é Arlan de Souza Rocha e o que eu sou? Um estudante de economia? Um ex supervisor comercial? O filho da minha mãe? Um estereótipo? Um ser humano? Não consigo chegar a nenhuma conclusão muito concreta e por isso desisto. Mas percebo que me limitei a pensar em mim como uma coisa que precisa ser nomeada e definida, como uma palavra no dicionário, ou um artigo de uma loja de departamento que precisa ser cadastrado e catalogado no sistema. Deixei de fora a pessoa, o ser humano. Eu adorava trabalhar em meu último emprego, que foi o primeiro. Mas em certo ponto a magia, o encantamento e o brilho nos meus olhos foram diluídos. Não quero aqui apontar responsáveis, até porque se houvesse algum, este seria eu. Prefiro olhar para tudo isso como um ciclo que chegou ao fim. Queria ser menos dramático e encarar as coisas como mero acaso, pessoas morrem, mudam de emprego e se casam todos os dias. Ao inferno com o meu egoismo.
Mas agora estou aqui, em processo de transição. Fechei a porta e me pus a chorar, estou com medo de abrir a próxima, na verdade, estou apenas caminhando em busca da porta seguinte e é esse caminhar que me causa medo, porque preciso encontrar um novo lugar, um lugar que seja tão prazeroso, gostoso e cheio de coisas novas para aprender como foi o ultimo. E eu não disponho de tempo para vagar por ai, sou bicho apresado, a inércia me incomoda e enraivece. Talvez este menino burro tenha se esquecido que o aprendizado se dá ao longo do caminho e a grande prova é superar e absorver tudo que agrega. Este não é um ciclo novo, é repetição. É uma mesma prova só que para uma oportunidade diferente.
Eu preciso ser, fazer e sentir. Vou pegar todas as definições que fiz de mim, recorta-las, misturar todas e jogar pro alto. E então, quando todos os pedaços voltarem ao chão eu serei quem preciso ser: todos que fui, incompleto e em construção, mas sem métrica, regra ou passo a passo. Depois de pegar os pedações e colar fazendo abstrações eu vou caminhar e pensar e fazer o que preciso e quero.
Eu preciso de ritmo, ritmos novos.

Que eu tenha fé, e a tenha em abundância.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Êxtase!


Este é o momento em que se eu fumasse acenderia um cigarro, mas não fumo. Poderia até abrir minha melhor garrafa, mas não tenho nenhuma em casa. Também não cheiro e nem injeto, caso contrário, hoje eu teria uma overdose.

É estranho porque as vezes, como hoje, me pego com vontades que não costumam ser minhas, elas chegam do nada e emanam com força e pressa, como se estivessem sempre em mim e resolvessem despertar de ultima hora.
 Hoje me deu vontade de ouvir Luiz Gonzaga e dançar forró agarradinho. Confesso, tô perigoso! Pegando fogo e rindo alto também. Eu tô estranho cara! hahaha.


É um à flor da pele só de corpo, sem sexo. Uma vontade de beijar, beijar de língua, com saliva e força, quase comer, mas só beijar.
Dois corpos suados que de tão grudados tornaram-se um.
Luiz Gonzaga acabou, agora é a vez de "Do I Wanna Know" do Artic Monkeys e eu consigo ver o microfone vintage, o tablado e a bateria. Eu tô de black tie e minha camisa tá completamente molhada, mas não é suor, é a reação química do meu corpo em puro êxtase, é a conversão do abstrato em físico.
Me lembrei de um show em Foz, uma guria alta e loura, vocalista de uma banda de Curitiba que roubou meu coração ao cantar Valerie, Legião e Sweet Caroline. Cara, eu gritava e cantava. Estava em um bar pequeno e lotado na fronteira do Brasil ao som de clássicos do rock, do blues e soul. Caralho! Foi bom demais.


Êxtase - Cláudio Dickson

sábado, 16 de maio de 2015

Sobre ir Sozinho - 2° parte

 No meio das montanhas, entre ladeiras, ruas estreitas e igrejas, muitas igrejas, eis que avistamos a cidade de Ouro Preto. Se no Rio víamos o Cristo pela janela do hostel, agora víamos a lua, envolta por uma atmosfera sombria e romântica, em uma cidade cheia de história, ouro e sangue.

Ouro Preto - MG.
Na segunda manhã em Ouro Preto fomos abordados por Dim, o guia turístico, ele se ofereceu para nos acompanhar pela cidade e depois pelas cachoeiras mais próximas. De todos os professores de História que tive, no colégio e faculdade, Dim foi sem dúvida o melhor, falava da historia do Brasil cheio de certeza, politizado e rico em detalhes. Foi ele quem nos levou a conhecer uma mina de ouro desativada, ali na cidade mesmo. O lugar é aberto ao público e o combo inclui guia e uma aula sobre escravidão de perturbar qualquer ser humano. O passeio em si é macabro logo de inicio, a mina, claro, é estreita, fria e escura, muito escura, a sensação que tive era que tudo podia desmoronar a qualquer momento. Conforme íamos adentrando o lugar, nosso guia, que desta vez não era o Dim, ia nos contando a história da mina e como as atividades se davam lá dentro, a magia, imaginem só, se dava pela forma, poética e novelesca que o guia narrava os acontecimentos, no tom de voz, riscando as paredes, evidenciando o rosto na luz da lanterna. Foi fantástico e aterrorizante.

Mina de Ouro desativada.
Uma coisa é ler que negros eram forçados a trabalhar mais de dezoito horas dentro de uma mina de ouro a dezenas de metros abaixo da terra, outra coisa é entrar num lugar desses e descobrir que muitos deles ficavam cegos devido o constante contanto dos olhos com as lascas de pedra provindas da escavação. Saber também que muitos outros passavam a noite dentro da mina como forma de castigo por desobediência e que outros tantos ficaram surdos pela exposição ao atrito das picaretas com a pedra da caverna. Uma autêntica aula de história in loco. Ainda em Ouro Preto, e com a supervisão do super guia Dim, fomos no dia seguinte conhecer a cachoeira, andamos por cerca de trinta minutos por uma trilha estreita até chegar na base do parque municipal Cachoeira das Andorinhas, que a abriga a cachoeira de mesmo nome. Seguindo a frente encontramos algumas formações rochosas e sob nossos pés uma caverna por onde a água entrava formando uma pequena queda, e eis aqui o meu desafio.

A caverna e os corajosos.
 Entramos na caverna de onde pude ver mais de perto a pequena queda d'água que ficava ainda alguns metros a baixo de onde estávamos, ali perto havia uma acesso  improvisado em forma de escada que levava diretamente a queda d'água, Dim nos convidou a descer, disse que era seguro. Eu me recusei a princípio, imaginei mil criaturas lá embaixo: tubarões, sereias, anacondas e aranhas gigantes, diferente de minha amiga, que foi logo descendo. Mas eu mudei de ideia depois que o Dim falou que eu ia me arrepender muito se não descesse. O que eu fiz? Desci!

E foi incrível. Andar  descalço sobre as pedras e com a água doce e gelada uma pouco abaixo do joelho. Eu nunca havia entrando em uma caverna no meio do nada com uma cachoeira dentro. Experiências, sensações, histórias. Precisamos disso.
Ouro Preto rendeu muitas histórias; de escravos, de guerras, de sangue e injustiça. Mas também histórias de amor que nomearam lugares, como a "ponte dos suspiros", marco do romance entre Tomás Antônio Gonzaga e Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, mais conhecidos como Dirceu e Marília. Ainda de acordo com a história, após Dirceu deixar o Brasil rumo ao exílio em Moçambique, Dorotéia chorou por tanto tempo que até o chafariz em frente sua casa secouEncerramos nossa estadia na cidade sentados no mirante da UFOP, lá de cima podíamos ver largamente a cadeia de montanhas que formam uma espécie de muralha ao redor de Ouro Preto, a cidade parecia se esconder por entre os morros e colinas.

No mirante da UFOP, último dia em Ouro Preto.
Após voltar de Minas Gerais, passei mais de um ano sem fazer uma viagem longa, mas isso mudou no ultimo dezoito de abril, aproveitei o feriado prolongado de Tiradentes e cai na estrada outra vez. O ponto de partida foi a rodoviária do tiete, dessa vez a grana estava mais curta então tive que ir de ônibus.

O destino? Primeira parada Curitiba, era vez de conhecer o sul do Brasil.O ônibus saiu por volta da meia noite, optei por viajar na madrugada para economizar com hospedagem e seis horas depois lá estava eu contemplando as primeiras curvas da capital do Paraná.

Muito ouvi li e ouvi sobre Curitiba, e percebi que nada foi em demasia, a cidade é de fato uma jóia, exemplo de beleza, bem estar e boa gestão do espaço público. Calçadas largas, com canteiros de grama por toda a parte, prédios históricos sem cercas para delimitar território, em Curitiba o sentimento que se tem é de liberdade. Diferente de São Paulo, não encontramos tantos portões, grades e muros altos, a cidade flui e o horizonte é livre. Mas fazer comparações aqui é tolice, Curitiba e São Paulo são extremos populacionais. Com quase 12 milhões de habitantes São Paulo tem 1.523 km² de extensão territorial. Curitiba por sua vez tem pouco menos de 2 milhões de habitantes e 435,036km² (dados oficiais do IBGE).
O museu Niemeyer.
 Para conhecer a cidade, segui a dica de um amigo e utilizei o transporte exclusivo para turismo, uma linha de ônibus cujo o percurso são os principais pontos turística da cidade.

Meu momento preferido foi quando o ônibus em que eu estava e que possuía terraço panorâmico, entrou em uma avenida e fui surpreendido pelo museu Oscar Niemeyer, foi profundo aquele primeiro contato com o olho gigante, por um momento me vi petrificado, admirando as curvas, o espelho d'água e o infinito branco, traços marcantes e inconfundíveis.
Fiquei apenas um dia na cidade, o que contribui para que minha percepção da realidade curitibana seja um tanto difusa e rala. Não que tenha me passado pela cabeça que ao Sul do Brasil tudo é lindo, a pobreza inexiste e todas as ruas são limpas e arborizadas. Pontualmente as dez horas da noite embarquei rumo a minha próxima parada.

Parque Tanguá.

Ainda no Paraná, só que agora no limite da fronteira, eu estava a caminho de Foz do Iguaçu, era chegada a hora de conhecer duas gigantes brasileiras, ou meio brasileiras...

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sobre ir Sozinho - 1° parte.

Segundo as estatísticas somos sete bilhões de seres humanos espalhados por cinco continentes em mais de uma centena de países. Não é sensato permanecer, considero um pecado não tentarmos ir. Sair de casa e tentar, aos poucos, conhecer quem e o que está lá fora. Talvez não precise ser o mundo, embora seja tentador. Mas que seja o Brasil, para começarmos.
Conheço bem pouco de nosso pais/continente, algumas capitais que de tão poucas posso contar nos dedos das duas mãos, mas os planos são ambiciosos, conhecer o Brasil de norte a sul, leste a oeste, conhecer a América latina, e depois o mundo.

Sempre que anuncio minha próxima viagem, a primeira coisa que amigos e familiares perguntam é com quem eu vou. O destino e todo o resto ficam em segundo plano. - Eu vou sozinho é a resposta e o que vem depois disso são as caras de interrogação seguidas do discurso moralista conservador de que viajar sozinho é coisa de gente estranha, carente e maluca. E eu concordo com tudo!

Sim, eu sou carente, estranho, e doido. E é exatamente por isso que a ideia de viajar se faz ainda mais necessária. Como acabar com a carência/solidão? Viajando, conhecendo pessoas, lugares, e meios de vida diferentes dos meus. Como alimentar minha insanidade? Fazendo coisas insanas, como pegar carona as margens de uma avenida estranha, em uma cidade estranha, com pessoas estranhas e sozinho e pedir para descer do carro duas quadras depois porque meu índice de loucura baixou rápido demais. E por fim, onde encontrar inspiração pra ser estranho? Em casa? Com certeza não! é no mundo, nas asas de uma avião, ou sobre as rodas de um ônibus com a bunda dolorida depois de quatorze horas sentado, é claro.

Congresso Nacional - Brasília, 02/2013
Por isso eu vou sozinho, mas vou!
Mas uma coisa importante sobre viajar é, ou melhor, uma regra básica da vida: não se encha de expectativas bobas. Ao colocarmos os pés na estrada, a primeira coisa a fazer é deixar-se surpreender, depois podemos continuar tirando os sapatos e vestindo a velha humildade e educação, porque mais do que em qualquer outro lugar, é quando estamos na estrada e sozinhos que elas são fundamentais.
A primeira viagem que fiz sozinho foi para Brasília, em 2013. Eu precisava conhecer a capital do meu pais, ver as curvas futurista do maior museu  a céu aberto do mundo. Fiz um bate e volta versão turbinada. Peguei o primeiro voou  saindo de São Paulo e voltei no ultimo daquele mesmo dia. Deu pra ver bastante coisa, bati perna o dia inteiro e só fui comer na hora de voltar pra casa, já no aeroporto. Um dos pontos altos da viagem foi poder caminhar pelo congresso nacional, inclusive dentro do plenário da câmara. Visitei também a palácio do Itamaraty, sede do ministério das relações exteriores e que guarda em seus salões dezenas de obras de arte brasileira e internacional e também alguns presentes recebidos pelo Brasil de países do mundo todo, como tapeçarias e móveis. Ha também uma escada helicoidal de tirar o fôlego de qualquer engenheiro ou arquiteto tamanha é a leveza e perfeição com que foi desenhada.

Panteão da Pátria- Brasília 02/2013
 O ultimo prédio que visitei foi o panteão da pátria, construído para homenagear os heróis nacionais. Me recordo de estar fazendo um calor lascado naquele dia, o céu do planalto estava colorido com um lindo tom de azul e com pequenas nuvens. Na hora de voltar para o aeroporto enfrentei um pequeno congestionamento entre o congresso e a rodoviária central, Brasilia embora tenha sido planejada também enfrenta problemas corriqueiros como o trânsito intenso.

A capital do meu pais é linda, uma pena não poder dizer o mesmo da maioria das decisões que lá são tomadas.

No ano seguinte as coisas melhoraram e consegui ir além, conhecer dois estados em uma mesma viagem, dessa vez acompanhado de uma amiga. A primeira escala foi no Rio, eu não podia continuar sustentando a ideia de que um gringo que mora do outro lado do mundo já conhecesse o cristo e as areias de Ipanema e eu, bem ao lado, nunca tivesse pisado naquelas terras.

Corcovado - Rio, 02/2014
Passei três dias no rio, isso depois de pensar que morreria logo nos primeiros minutos pós desembarque. Cometi o vacilo de pegar um táxi fora do aeroporto, atraído por um sei lá quem que ofereceu o serviço e eu e minha amiga, dois turistões, seguimos. Entramos em um táxi clandestino, sem fechadura nas portas traseiras e sem taxímetro. Ao longo do trajeto o sujeito falava o tempo todo sobre a violência no Rio, os sequestros, as mortes e os tiroteios, comuns, segundo ele, na via em que estávamos passando naquele exato momento. Quilômetros a frente ele para o carro e outro sujeito estranho entra. - meu amigo, vamos almoçar juntos, tudo bem? - Tudo bem? Seu amigo tomar carona na minha corrida de táxi? Claro, poxa, porque não? Burro burro burro! Eu tava cagando de medo e jurei ter visto um 38 sobre o banco do motorista. Aventuras a parte, chegamos com vida em Santa Teresa, não fomos assaltados diretamente, mas paguei cem reais em uma corrida que segundo os locais, custa não mais que trinta. Eu e minha amiga agradecemos a Deus por nossas vidas, nos xingamos a noite toda e depois rimos.

Pedra do Arpoador - Ipanema, 02/2014
O Rio começou emocionante! Confesso que ao juntar minha primeira experiência negativa na cidade a tudo que tinha visto pela TV nos anos anteriores, andei pelas ruas do rio bem temeroso, mas depois vieram o por do sol na pedra do arpoador e todo mundo aplaudindo aquela maravilha, vieram também os corpos nus em meio a uma cidade que mistura a beleza do mar as seis da tarde ou da manhã e que também é cosmopolita, é movimentada, é repleta de línguas, sotaque e gente do mundo todo. Sai de lá com a promessa de voltar algum dia para morar, por uma temporada que seja.
Do Rio partimos para Ouro Preto, MG...

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Mahatma Gandhi


O que devemos esperar de um líder político? Perfeição? Integridade? Transparência? Verdade? Laicidade?
E se ao invés disso esperássemos apenas que ele fosse humano?
Personagens como Gandhi, Mandela e o Dalai Lama sempre despertaram em mim um grande interesse, por seus feitos também, mas principalmente pela forma como conduziam suas vidas; seus hábitos e suas posições frente as grandes questões das sociedades nas quais estavam inseridos.
Mohandas Karamchand Gandhi como foi batizado ao nascer ou O Mahatma Gandhi como foi agraciado, era tudo, menos um homem perfeito, até porque perfeito assim como correto, são palavras com gigantes oscilações ao longo da história humana.
Dizem que a história é imperfeita porque quem a conta quase sempre são as partes que ganham e sobrevivem, logo, como saber com exatidão como de fato as coisas aconteceram?

Podemos nos basear na ciência, nos depoimentos e em artefatos encontrados ao longo tempo, mas certamente algo será negligênciado ou até mesmo alterado. Vemos isso com a história de nosso pais, que embora seja recente, há sempre boas divergências entre a oficial e a real.
Gandhi despertou minha curiosidade ainda quando eu era uma criança, meu cérebro o catalogou como um pacifista, o homem que trouxe independência política a um pais sem apertar um único gatilho ou derramar uma gota de sangue.
Mas como sabemos, o mundo real diverge em muitos aspectos do mundo pintado nos jornais e nos demais veículos de comunicação. Até mesmo a biografia entitulada "Mahatma Gandhi e sua luta com a Índia" escrita pelo americano ganhador do Pulitzer; Joseph Lelyveld na qual me baseie para escrever este texto, possui em maior ou menor grau a percepção pessoal do escritor, e isso não tem necessariamente por objetivo impor ao leitor uma verdade consagrada por este. A verdade é que por mais que tentemos ser imparciais, é inevitável, exercemos influência. E sendo assim, a
forma mais sábia de articular entre o real e o falso é buscar todas as versões possíveis da história, ouvir ambos os lados, e olhar por dentro e por fora da situação.
Descobri então que Gandhi foi muito mais que um pacifista, o Mahatma nem sempre teve sucesso com suas ideias, algumas vezes precisou retroceder, em outras se contradisse, e em muitos momentos levantou bandeiras que pareciam ir contra tudo o que vinha pregando ao longo de sua vida. Mas ainda assim, Gandhi permaneceu fiel a não violência, e quando seus seguidores, intitulados de satyagrahis perdiam a fé em sua palavra e aderiam ao derramamento de sangue ele logo suspendia todo e qualquer movimento de libertação e independência, mesmo que isso significasse retardar seus objetivos. E é por isso continuarei a vê-lo como um exemplo de determinação e coragem. Sua doutrina de firmeza na verdade, ou Satyagraha, embora não tenha alcançado seus reais objetivos e nem tenha sido o real propulsor da independência Indiana, sobrevive até hoje para nos mostrar que a humanidade pode sim tentar um caminho contrário a guerra, um caminho de não violência, com resistência pacifica. Estes ensinamentos é claro, não surgiram em Gandhi, muitos outros homens já o proclamaram antes dele, e embora os métodos atuais de condução do mundo se mostrem falidos, insistimos em não mudá-los. E aqui é importante ressaltar que as guerras não estão sendo travadas apenas no oriente médio, ou na fronteira da Ucrânia, na Africa, e nos mares das Coreias. Guerras também são travadas todos os dias no metrô, na rua, no ônibus, no trânsito e dentro de nossas casas. Me pergunto se ao invés de sempre revidarmos, o que aconteceria se passássemos a exercer uma resistência pacífica.  Bom, eu não sei. Talvez eu seja um tolo, ingênuo e hipócrita, mas a única coisa que posso afirmar é que sim, você deve ler a história de Gandhi, seja para inspirar-se ou para ampliar sua capacidade de discernimento. E se assim você escolher, eu lhe desejo uma boa leitura!


Fonte de apoio:
Livro: Mahatma Gandhi e sua luta com a Índia.
Autor: Joseph Lelyveld
Editora: Companhia Das Letras 


quarta-feira, 11 de março de 2015

Sociedade do consumo: o dinheiro corrompe o amor.

Desde quando surgiram às primeiras vidas na terra sempre houve a necessidade da perpetuação da espécie dois membros de sexos diferentes se aproximarem e multiplicar. Geralmente, o gênero feminino por ter uma importância maior na questão da fecundidade, uma vez que ele é que irá gestar a vida, seja no ventre ou ao colocar os ovos, tem mais necessidade e a natureza o favorece com habilidades mais especiais. Resumindo, o sexo feminino é mais dotado de beleza e atrativos naturais do que oposto do que o sexo masculino, salvando claro suas exceções em outras espécies de seres vivos.
Mas, claro que o ser humano, complexo por essência, graças a sua racionalidade, tem suas peculiaridades em comparação aos outros seres vivos existentes nesse planeta. Eis que uma dessas diferenças é justamente a questão da aproximação para o acasalamento. Ao evoluir a questão sentimental vai se tornando cada vez mais essencial para a conquista, no caso de animais do sexo masculino tentando seduzir o sexo feminino. Isso dá a impressão de que nunca existiu o amor que desde os primórdios da existência humana o sexo feminino se aproximou do ser masculino que tinha algo a lhe oferecer, uma segurança, uma força física, arte da caça, enfim, o amor o sentimento mais nobre, na verdade, é uma ilusão ou sempre esteve vinculado de forma secundária à outra mais prioritária, o interesse material.
O amor então não existe? Seria tudo um jogo de interesses de aproximação seja por proteção, ambição etc.? Não, o amor rompe essas barreiras, no entanto, na maioria dos casos a questão é por certo interesse ou algo que chame atenção, afinal, se formos ver a história os casamentos ocorriam por acordos entre as famílias e não por amor. Isso ocorreu principalmente entre o Império Romano e a história contemporânea, voltando mais no tempo ainda, os povos gregos dos quais somos herdeiros, acreditavam que o amor era um sentimento muito nobre e só poderia ser sentindo entre os seres superiores, ou seja, o amor só existia entre os homens, pois as mulheres só serviam para procriar.
Voltando para as sociedades atuais, vimos que o homem não amadureceu a ideia do amor, cada vez mais o que fala alto é a questão do status, não importa o que você é ou deixa de ser, o que importa é o que você tem ou poderá vir a ter. As pessoas se atraem e se deixam levar pela questão material, se ela a mulher se veste bem, se está sempre arrumada, com o corpo em cima, se o homem trabalha, é bem sucedido, é malhado na academia, se tem carro, se tem casa e etc. Oh amor, sentimento puro e nobre, abençoado pela deusa Afrodite e Vênus, que destrói obstáculos, que é idealizado por todos, que é a inspiração dos poetas, dos amantes. Onde você está? Não conseguimos mais sentir sua presença por causa desse sistema capitalista nefasto que te usa até nas obras cinematográficas para lucrar em tua honra. Onde você se escondeu? Será que ficaram nas lendas indígenas, africanas, orientais, será que você sempre foi uma utopia, será que você morreu, será que você está só na relação materna? Onde você estiver, por favor, retorne! Para que a humanidade perceba o quanto você é essencial nas nossas vidas. Por que sem você a pureza dos sentimentos perde os sentidos e revele-se que você é tão forte de quebrar todos os impedimentos que esse sistema coloca como invencível. Prove que o ser humano não é só podridão, que ele é, sim, um ser fiel à cópia do criador. Enquanto você não se manifestar, a ambição e o poder provam somente ao contrário, que ele dita a relação humana em todas as suas esferas e são interligadas por
Interesses. Isso faz com que a humanidade seja fútil, vulgar e de sentimentos pequenos e fugazes.





Pedro Bravo Frutos Junior
 Professor de História da rede Estadual de São Paulo.


domingo, 8 de março de 2015

A Marcha das Gigantes Minorias.


(imagem - google)


Eu convido todas as mulheres do mundo: índias, negras, brancas, pardas, caucasianas, amarelas, ruivas e toda e qualquer mais etnia ou cor que possa haver. Mulheres de além-terra, se existirem, por favor, venham também. Para caminharem juntas e gritarem ao mundo: Nós estamos aqui e não vamos retroceder!
Convoco estas mesmas mulheres para fazermos um cerco ao redor de seus filhos para que nenhum deles saia de casa para travar guerras que não lhes pertence. Mulheres de todo o mundo, eu rogo para que tenham força, coragem e meios de dizer BASTA a opressão causada por seus maridos, a violência infligida por seus pais e ao estupro descabido de seus corpos.
Mulheres! Do Congo, da China, Rússia, de Uganda. Mães Sírias saiam ás ruas pelo direito de ver suas filhas do outro lado da fronteira. Mulheres de todo o mundo, façamos agora mesmo uma muralha no campo de futebol onde querem descabidamente apedrejar uma jovem.
Indianas, Norte - Coreanas, Sul - Coreanas, Brasileiras, mulheres! Deem as mãos e façam sentinela nos ônibus, trens e aviões; seus corpos NÃO são patrimônio público, é um direito privado, são seus.
Juventude Israelense, Afegã, Paquistanesa e Iraquiana; tomem as ruas do oriente médio,. Chamem todos os outros, vamos cavar um foço e jogar nele todas as bombas, todas as lágrimas e as armas usadas na sangrenta e irrefreável tentativa de tirarem de vocês a fé e a esperança. Do monte Ararate na Turquia ás margens do Nilo, cantem em uníssono a canção do "Não queremos mais Guerra".

Homens! Vamos também dar as mãos a nossas mulheres, mães, professoras, irmãs, primas, namoradas e a todas as outras mulheres, vamos ajuda-las a fazerem parte desse mundo. Gritemos por elas e com elas. Vamos ajudar a construir um mundo onde as mulheres possam descer do ônibus a meia noite e andarem até suas casas sem o medo de perderem suas vidas, sem a necessidade de que um de nós precise estar ao lado para impor superioridade. Homens, façamos com que cada mulher deste mundo sinta-se segura não porque existem homens, mas porque elas são mulheres e devem ser respeitadas como tais.

Eu convoco os negros e os índios, peço também que se juntem a nós os nordestinos e os Chineses, para dizermos em alto e bom som: Nós vamos permanecer aqui, porque aqui também é o nosso lugar.

Eu peço que abram alas, porque mandei chamar toda a comunidade LGBT e eles e elas já estão subindo a Augusta, as ladeiras de São Francisco, atravessando as ruas do Recife e a ponte do Brooklin, estão amontoados na praça vermelha, nos portões de Brandemburgo e marchando por toda a África, todos dizendo a quem quiser ouvir e principalmente aos que insistem em não querer: Este mundo também é deles, também é nosso!  E por isso pedimos que parem de nos queimar vivos, de nos julgar por nossa orientação sexual ou pelo modo como nos vestimos. Pedimos para que não mais nos espanquem no metrô ou nas esquinas. Parem, por favor!
Eu clamo para que os famintos da África ainda tenham forças e possam vir caminhar conosco.
Chamo também os meninos soldados de Serra Leoa, suplico a eles que larguem seus AK47 e venham de mãos dadas se juntar a nós pelo direito de irem á escola, pelo direito de terem o que comer, pelo dever (nosso dever) de terem um lar e uma família. Pela esperança em terem de volta a infância roubada.
Se não nesta geração, pois então que na próxima, mas que nós, sejamos lembrados como aqueles que voltaram às ruas, que subiram nos telhados, cruzaram pontes e marcharam novamente de norte a sul em busca de equidade e liberdade. Liberdade dos gêneros, igualdade dos sexos. Digamos NÃO mais uma vez as distinções de raça, credo, sexualidade ou qualquer outra.
Eu convido as igrejas da América, o alto clero de Roma, os Anglicanos da Grã Bretanha.  Muçulmanos, Judeus, mestres da Umbanda, seguidores de Buda, Oxalá e Alá. Venham todos, vamos caminhar além de nossas causas particulares, até o ponto em que todas elas sejam comuns.

Continuemos andando, de mãos dadas e com satyagraha!

Inicialmente era para ser um texto apenas para as mulheres, mas o camaleão se empolgou e fez um texto para todo mundo.
Mas o dia é de vocês meninas, e eu vos desejo força e beleza, garra e brilho, coragem e persistência.
Lembrem-se mulheres, vocês são maioria neste mundo, são a maioria capaz de mudar o rumo hostil no qual acostumamos a caminhar.


terça-feira, 3 de março de 2015

A Simplicidade Resplandece a Verdadeira Felicidade

As atuais sociedades cosmopolitas conectadas pela modernidade das redes sociais, onde tudo é acessível ao alcance de um click, seja pelo computador ou celular, cuja principal finalidade é a busca insaciável do status social, da fama e da comunicação em tempo real. De certo modo essa tecnologia sofisticada deu ao homem uma comodidade de poder executar seus trabalhos, facilitou os estudos e pesquisas, agilizou o que antes se gastava horas e até dias e deixou um legado as novas gerações que com certeza daqui um tempo irão pensar, como as pessoas podiam viver daquela maneira tão retrógrada, entretanto, isso não significa que a comodidade e facilidade resulta na tal sonhada felicidade.
A internet deu ao ser humano a ferramenta fundamental para o acesso a tudo e a todos na velocidade da luz, no entanto, assim como o dinheiro a internet não traz a tão sonhada felicidade, afinal, tanto o dinheiro como a internet apesar de ser fundamentais na vida do homem moderno, pois são o passaporte para a aquisição de bens materiais, elas também têm o poder negativo de trazer a vaidade, o orgulho, a ambição, a busca incessante pelo poder e a segregação classes.
Esses elementos, quando não são usados com sabedoria, pode alimentar apenas o próprio ego de quem os usam e acabar corrompendo os seus reais valores e funcionalidades. O homem sempre criou ferramentas para facilitar seu trabalho, para ter um tempo a mais para desfrutar da vida, do ócio, objetivando um certo comodismo, mas claro, não diminuindo a produção do seu trabalho, pois a meta dos seus sonhos sempre foi o acúmulo de riquezas, acreditando inocentemente que isso lhe traria a tal felicidade.
Infelizmente isso apenas lhe rendeu dores, falsidade, injustiças, amargura e a destruição, não só de sua própria espécie, mas também de tudo ao seu redor, ou seja, a natureza, a fauna e a flora, usando as mesmas a sua própria vontade como se elas lhe pertencesse. Na verdade, dentro de um processo histórico, isso foi criado e se acreditou mesmo que tudo girava em torno do ser humano, sobretudo, na era do renascimento e também na época do iluminismo.

Mas afinal, o que é a felicidade ? Esse sentimento abstrato existe ou é apenas mais uma utopia criada pelo homem, assim como a liberdade? Liberdade diferentemente de felicidade não existe, pois todos nós somos presos a algo, e logo, se somos presos não somos livres até porque não somos merecedores de algo tão maravilhoso, afinal, somos seres imperfeitos buscando a evolução. Felicidade é algo limitado, não é palpável, não se vê, não se cheira, apenas se sente, mas, ela pode estar em tudo e em todos os lugares. É a paz espiritual, que não está no material e o próprio material não é um passaporte para chegar a mesma como se ela fosse um lugar, uma ilha paradisíaca. Felicidade são lapsos de momentos de extrema alegria e prazer, como por exemplo, um bate papo com os amigos, fazendo o que gosta, aquela cervejinha depois do expediente, ver o pôr do sol, sentir aquela onda se quebrando no corpo, um beijo gostoso da pessoa amada, a companhia da família, é fazer o que gosta sem fazer mal ao próximo.
A felicidade está nas pequenas coisas, na essência da simplicidade, nas suas origens, no respeito da natureza, a felicidade é o equilíbrio, é estar na harmonia da paz espiritual, psicológica, mental e biológica. Felicidade é o antônimo da complexidade, do egoísmo, da ganância, por fim, a felicidade é tudo que a modernidade dessa sociedade cada vez mais individualista, mecânica, fútil e hipócrita jamais saberá o que é.



Pedro Bravo Frutos Junior
Professor de história da rede estadual de São Paulo.


 
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