quinta-feira, 23 de abril de 2015

Mahatma Gandhi


O que devemos esperar de um líder político? Perfeição? Integridade? Transparência? Verdade? Laicidade?
E se ao invés disso esperássemos apenas que ele fosse humano?
Personagens como Gandhi, Mandela e o Dalai Lama sempre despertaram em mim um grande interesse, por seus feitos também, mas principalmente pela forma como conduziam suas vidas; seus hábitos e suas posições frente as grandes questões das sociedades nas quais estavam inseridos.
Mohandas Karamchand Gandhi como foi batizado ao nascer ou O Mahatma Gandhi como foi agraciado, era tudo, menos um homem perfeito, até porque perfeito assim como correto, são palavras com gigantes oscilações ao longo da história humana.
Dizem que a história é imperfeita porque quem a conta quase sempre são as partes que ganham e sobrevivem, logo, como saber com exatidão como de fato as coisas aconteceram?

Podemos nos basear na ciência, nos depoimentos e em artefatos encontrados ao longo tempo, mas certamente algo será negligênciado ou até mesmo alterado. Vemos isso com a história de nosso pais, que embora seja recente, há sempre boas divergências entre a oficial e a real.
Gandhi despertou minha curiosidade ainda quando eu era uma criança, meu cérebro o catalogou como um pacifista, o homem que trouxe independência política a um pais sem apertar um único gatilho ou derramar uma gota de sangue.
Mas como sabemos, o mundo real diverge em muitos aspectos do mundo pintado nos jornais e nos demais veículos de comunicação. Até mesmo a biografia entitulada "Mahatma Gandhi e sua luta com a Índia" escrita pelo americano ganhador do Pulitzer; Joseph Lelyveld na qual me baseie para escrever este texto, possui em maior ou menor grau a percepção pessoal do escritor, e isso não tem necessariamente por objetivo impor ao leitor uma verdade consagrada por este. A verdade é que por mais que tentemos ser imparciais, é inevitável, exercemos influência. E sendo assim, a
forma mais sábia de articular entre o real e o falso é buscar todas as versões possíveis da história, ouvir ambos os lados, e olhar por dentro e por fora da situação.
Descobri então que Gandhi foi muito mais que um pacifista, o Mahatma nem sempre teve sucesso com suas ideias, algumas vezes precisou retroceder, em outras se contradisse, e em muitos momentos levantou bandeiras que pareciam ir contra tudo o que vinha pregando ao longo de sua vida. Mas ainda assim, Gandhi permaneceu fiel a não violência, e quando seus seguidores, intitulados de satyagrahis perdiam a fé em sua palavra e aderiam ao derramamento de sangue ele logo suspendia todo e qualquer movimento de libertação e independência, mesmo que isso significasse retardar seus objetivos. E é por isso continuarei a vê-lo como um exemplo de determinação e coragem. Sua doutrina de firmeza na verdade, ou Satyagraha, embora não tenha alcançado seus reais objetivos e nem tenha sido o real propulsor da independência Indiana, sobrevive até hoje para nos mostrar que a humanidade pode sim tentar um caminho contrário a guerra, um caminho de não violência, com resistência pacifica. Estes ensinamentos é claro, não surgiram em Gandhi, muitos outros homens já o proclamaram antes dele, e embora os métodos atuais de condução do mundo se mostrem falidos, insistimos em não mudá-los. E aqui é importante ressaltar que as guerras não estão sendo travadas apenas no oriente médio, ou na fronteira da Ucrânia, na Africa, e nos mares das Coreias. Guerras também são travadas todos os dias no metrô, na rua, no ônibus, no trânsito e dentro de nossas casas. Me pergunto se ao invés de sempre revidarmos, o que aconteceria se passássemos a exercer uma resistência pacífica.  Bom, eu não sei. Talvez eu seja um tolo, ingênuo e hipócrita, mas a única coisa que posso afirmar é que sim, você deve ler a história de Gandhi, seja para inspirar-se ou para ampliar sua capacidade de discernimento. E se assim você escolher, eu lhe desejo uma boa leitura!


Fonte de apoio:
Livro: Mahatma Gandhi e sua luta com a Índia.
Autor: Joseph Lelyveld
Editora: Companhia Das Letras 


 
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