domingo, 15 de janeiro de 2017

Daquilo que nós nunca fizemos



Daquela foda gostosa que nós nunca demos. Do acordar perdido na tua cama. Do ir te buscar no trabalho sexta a tarde para irmos caminhar, conversando sobre a porra da politica e as eleições que se aproximam, rir das barbeiragens que Simba, nosso cachorro, fez outra vez na calçada da dona Teresa. Ah meu moreno, e as macarronadas que eu nunca  te fiz, das vezes em que (nunca)  te puxei a toalha envolta na cintura pra te ver corar e depois cair na risada me chamando de safado.

Me lembro ainda em detalhes de todas aquelas amostras de Gaudí, Michelangelo e Picasso que jamais fomos ver em São Paulo. Das corridas matinais no vila lobos e no parque Tanguá. Mas o que mais lembro com saudade profunda, é daquela vez em que entrelacei minha mão na tua antes de entrarmos na festa de casamento da tua prima Julia, você me sorriu leve, apertando e aninhando teus dedos nos meus, me encorajando, como quem dizia " continue, vá em frente, aqui ninguém irá nos julgar, o que sentimos um pelo outro é tão bonito que só trará luz ao mundo" lembro desse momento com a certeza concreta e irrefutável de algo que nunca aconteceu.

E finalmente, porém não menos feliz, me recordei a pouco daquela manhã inexistente de domingo, a primeira na cidade nova, da vida nova e dentro das escolhas que fiz. Te liguei desesperado e chorando, supondo que tudo daria errado; o emprego novo, o apartamento, nos dois, o mundo. Você foi enfático: " deixa de drama porra!" Se der errado tú volta, levanta e tenta outra vez, é assim pra todo mundo. E completou " você tem a chave aqui de casa, se precisar volta, sabes o caminho, mas se acaso esquecer, eu vou te buscar."

"É!" pensei comigo. Se precisar voltar eu volto, para fazermos tudo aquilo que nós nunca fizemos, sem dramas PORRA!






 
Camaleão sentimentalista © Todos os direitos reservados :: voltar ao topo