segunda-feira, 5 de junho de 2017

A Dama de Vermelho


Por Pedro Bravo


O ano mal tinha começado para Gabriel, jovem auxiliar administrativo, que recentemente começou em um novo emprego. Sua vida se encontra no meio de furacão. Os problemas eram diversos: pessoal, familiar, amoroso, financeiro, enfim, como diz o ditado “Desgraça pouca é bobagem”. Diante de tudo isso, o jovem Gabriel estava vivendo solitariamente.
Ele estava sofrendo pelas questões negativas da vida, porém, não imaginava que, às vezes, a vida nos coloca provações e quando suportamos as adversidades a bonança sempre chega. E o destino de Gabriel estava por mudar. O jovem encontrou no cotidiano de sua vida profissional um ser maravilhoso em todos os sentidos, que trabalhava no setor de recursos humanos. Seu nome? Era Cibele...
Cibele era uma mulher deslumbrante, quase da idade de Gabriel, talvez um pouco mais nova, jovem, branca como as nuvens, não necessitava de andar muito maquiada, pois ela já possuía uma beleza natural, uma essência de sensualidade, digna de uma Maria Padilha (entidade da umbanda). Ela cheirava desejo, tinha gosto de pecado, dona de um olhar cativante, um sorriso enfeitiçador, que encantava qualquer um que se colocasse a conversar, um corpo na medida da exuberância de sua beleza. Contudo, o que mais era característico naquela mulher, além de todos esses adjetivos, eram as cores dos lábios, do cabelo e de suas roupas. Esse três elemento possuíam algo em comum: a cor vermelha.
Sim, era a dama de vermelho, poderosa e, principalmente, envolvente, dona uma postura invejável. Esse anjo começou a perceber de forma onde a ciência não pode explicar, era algo metafísico, espiritual, que Gabriel, necessitava de afeto e acalanto, entre conversas paralelas entre a hora do almoço, trocaram telefones, mensagens, encontros, até que o inevitável, aconteceu, os seus corpos se encontraram em um jogo de prazer e sedução, e tudo isso, sem intenção, mas o destino tinha preparado algo para eles.
É altamente relevante dissertar sobre a questão física de Cibele, pois era um anjo como um ser, tinha uma sensualidade quase diabólica que atraía a inveja e a cobiça das outras mulheres e na cama, um verdadeiro furação, uma sábia na arte do sexo. Isso foi um vetor de transformação na vida de Gabriel, que não se deu conta de que sua vida antes estava um inferno e, agora, era quase um paraíso. Pois apenas um detalhe impedia sua felicidade por completo.
Cibele que tanto ajudou Gabriel em todas as particularidades negativas de sua vida também enfrentava um problema. Agora, o jovem Gabriel teria de enfrentar e ajudar “a dama de vermelho” que era a razão de sua alegria. Cibele estava em um processo de término de relacionamento, era casada, mas seu relacionamento já estava respirando com ajuda de aparelhos e faltava a Gabriel incentivar Cibele a terminar tudo, para ficar com aquele em que se transformou em seu porto de felicidade.
Mas, como a realidade não é um conto de fadas, as coisas não se resolveram como um capítulo final de novela. Cibele queria muito viver com Gabriel e vice-versa, mas ela ainda não conseguiu romper os laços do passado que teve com o seu ainda esposo, e pede a Gabriel que ele tenha a maior das virtudes do ser um humano, a sapiência da paciência e ele como prova de seu amor, jurou que iria esperar o
quanto fosse necessário pela sua amada. Atualmente, o jovem casal apaixonado, abençoado pelas bênçãos de Vênus vivem um amor bandido, uma paixão enlouquecedora que vive à margem da lei de uma sociedade politicamente monogâmica, conservadora e hipócrita. Pois, quem não teria a coragem dos dois de renegar os conceitos monogâmicos em nome do verdadeiro amor e desejo carnal de uma paixão avassaladora? Talvez aqueles que se preocupam mais com o julgamento das ideias pré-estabelecidas pela sociedade do que com os seus próprios sentimentos...



Pedro Bravo 
 Professor de História da rede Estadual de São Paulo.

3 comentários:


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